terça-feira, 26 de abril de 2011
3º Encontro dos Movimentos Sociais de Minas Gerais
Essa é a palavra de ordem dos Movimentos Sociais que denunciam o projeto político do governo de Minas, que privilegia o lucro das grandes empresas e reprime os/as trabalhadores/as que exigem seus direitos básicos, como moradia, melhores condições de trabalho e ensino público de qualidade.
terça-feira, 19 de abril de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
domingo, 5 de dezembro de 2010
TEATRO - Cinco cenas curtas e divertidas
CONVITE
TEATRO Cinco cenas curtas e divertidas.
Apresentações de conclusão da disciplina de Direção Teatral
Data: Nesta segunda, dia 6/12
Local: Auditório do Curso de Arte e Mídia
Hora: 19h
Venham assistir. Convidem os amigos
Cenas:
Vamos (extrato do texto)
Autor: Mário Vianna (dramaturgo paulista contemporâneo)
Autor: Victor Freire (escritor baiano contemporâneo)
Ida ao Teatro (cena integral)
Autor: Karl Valentim (dramaturgo e ator alemão, século
XX)
Loja de Chapéus (cena integral)
Autor: Karl Valentim (dramaturgo e ator alemão, século XX)
O Cara (adaptação de texto)
Autor: Woody Allen (cineasta, ator e escritor norte-americano contemporâneo).
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Campanha 16 dias de Ativismo
Um grupo de organizações feministas e entidades voltadas para a garantia dos direitos humanos de Campina Grande realiza a partir desta quarta-feira, 24 de novembro, uma programação alusiva à Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher. A programação envolve palestras nas escolas públicas, mobilizações em bairros da cidade e seminários.
Esta é a 19ª edição da Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, uma ação que envolve organizações de 159 países no período de 25 de novembro a 10 de dezembro, dia em que se comemora o aniversário da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Violência contra a mulher
Segundo dados do Centro da Mulher 08 de março, no ano de 2009 houve 46 homicídios de mulheres e 21 tentativas de homicídios; no ano de 2010 estes dados praticamente dobraram, pois foram registrados, entre janeiro a outubro, 51 homicídios e 21 tentativas de homicídioA Lei Maria da Penha, que dispõe sobre o enfrentamento a violência doméstica e familiar contra as mulheres, não está sendo concretizada na Paraíba, principalmente, se levarmos em conta os seguintes aspectos: a Paraíba é um dos quatro estados da Federação que ainda não implantou os Juizados Especiais de Violência Doméstica e Familiar; as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, em número de 08 em todo Estado, funcionam com infra-estrutura inadequada, com falta de recursos humanos e ausência de capacitação da equipe para atuar considerando as questões de gênero e étnico/racial; a não implementação de Casas-A brigo’ para as mulheres e seus dependentes menores em situação de violência doméstica e familiar, existindo somente uma no município de Campina Grande com precárias condições de funcionamento.
PROGRAMAÇÃO:
“Chá Positivo” na sede do Grupo de Apoio a Vida (GAV).
Discussão da temática “Mulheres Positivas em Debate: violência contra as mulheres”
Data: 24/11/2010 (quarta-feira)
Hora: 14h
Mobilização comunitária no bairro da Catingueira (Praça da Igreja Católica)
Distribuição de folders, adesivos de carros, exposições de faixas, pronunciamento das representantes das entidades e da comunidade em geral, apresentação do grupo Dança e Charme.
Data: 26/11/10 (sexta-feira)
Hora: 8h30 as 11h30
Seminário Estado Laico e os Direitos das Mulheres”.
Realização: Católicas pelo Direito de Decidir.
Lançamento e distribuição de livros
Local: Auditório da Faculdade de Serviço Social, Rua AntÃ?nio Guedes, 114, Centro
Data: 03/12/10 (sexta-feira)
Hora: 8h30 às 11h30
Palestras nas escolas da rede pública
Sensibilização da juventude quanto à problemática da violência contra as mulheres
Escola Murilo Braga (Bairro Liberdade)
Data: 01/12/10 (quarta-feira) Hora:19h
Escola Estadual Nenzinha Cunha Lima (Bairro Mirante)
Data: 06/12/2010 (segunda-feira) Hora: 14h30
Escola Normal (Av. Brasília)
Data 09/12/10 (quinta-feira) Hora:15h
Escola Estadual Premem
Data 07/12/10 (terça-feira) Hora: 14h30
terça-feira, 23 de novembro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Feministas lançam plataforma pela legalização do aborto
28/09/2010Jorge Américo
Radioagência NP
Organizações feministas de diversos estados brasileiros reuniram-se em torno de uma plataforma de defesa da legalização do aborto a ser lançada nesta terça-feira (28), dia internacional de luta pela legalização do aborto. Em São Paulo, o ato de lançamento ocorre na Praça do Patriarca. A integrante da Marcha Mundial das Mulheres, Sônia Coelho, explica que o objetivo é retomar o debate.
“Queremos neste dia 28 de setembro lançar essa plataforma para fazer o debate do que é a realidade do aborto clandestino no Brasil e do significa as mulheres, na nossa sociedade, não terem o direito de decidir sobre sua vida e a maternidade.”
Todos os anos ocorrem 42 milhões de abortos no mundo. A estimativa brasileira é de mais de 1.25 milhões de casos. As complicações dessa prática já representam a terceira causa da morte materna no país. Sônia Coelho defende que os convênios do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam revistos.
“Muitas vezes essas instituições religiosas acabam impondo os seus valores, os seus princípios. No caso da saúde da mulher, nós queremos que todas as mulheres possam ter acesso a todos os métodos anticonceptivos. Muitas vezes as mulheres são prejudicadas porque esses setores não concordam com o uso da camisinha, não concordam com a contracepção de emergência. Então acabam cerceando o direito das mulheres de poder utilizar os serviços do SUS.”
Em maio de 2010, a Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) que concede ajuda financeira às mulheres vítimas de estupro que não realizarem aborto.
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/2388
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Bancários entram em greve a partir de hoje por tempo indeterminado
Funcionários da Caixa, Banco do Brasil, Banrisul e bancos privados entram em greve a partir de hoje por tempo indeterminado. A decisão foi tomada na noite dessa terça-feira em assembleias realizadas por 20 sindicatos de diversas regiões do Estado. A paralisação, que segue o movimento nacional da categoria, deve ser confirmada em outras oito cidades gaúchas ainda nesta quarta-feira.
Com a decisão dos bancários, nenhum serviço deverá ser oferecido nas agências bancárias – exceto o autoatendimento nos caixas eletrônicos. As opções para transações como depósito, saque e pagamento de contas são também os correspodentes bancários, lotéricas e internet.
O diretor de organização da Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras no Estado (Fetrafi-RS), Arnoni Hanke, acredita que a paralisação terá forte adesão dos cerca de 26 mil funcionários de 1,5 mil agências em todo o Estado.
— Infelizmente a greve é o único instrumento de reivindicação da categoria — apontou Hanke.
Os bancários rejeitaram a proposta de 4,29% de reajuste apresentada pela Fenaban. Entre as reivindicações, estão o reajuste de 11%, valorização dos pisos, fim das metas consideradas abusivas e segurança contra assaltos e sequestros.
Por sua vez, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) promete buscar meios legais para manter as agências abertas.
Sindicatos que decidiram pela greve
Alegrete, Bento Gonçalves, Carazinho, Caxias do Sul, Cruz Alta, Horizontina, Ijuí, Litoram Norte, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Rosário do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santiago, Santo Ângelo, São Gabriel, Vale do Caí e Vale do Paranhana.
Sindicatos que realizam assembleia hoje
Bagé, Cachoeira do Sul, Erechim, Rio Grande, Santa Rosa, São Borja, Soledade e Vacaria.
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Economia&newsID=a3056805.xml
Greve geral na Europa, França, Grécia, Portugal e Espanha
Os trabalhadores na Grécia posicionam-se hoje na frente avançada das lutas de classe europeias contra a tentativa do grande capital de fazer o povo trabalhador pagar os custos da sua crise.
Mobilizações contra esta austeridade estão a difundir-se por toda a Europa. Em França, houve greves e manifestações a 27 de Maio e está planeado para 24 de Junho um dia de acções. Em Portugal, 300 mil trabalhadores manifestaram-se nas ruas de Lisboa a 29 de Maio para exprimir a sua rejeição ao plano de austeridade do governo. Em Espanha, funcionários públicos foram às ruas em 2 de Junho. Na Itália, foi realizada uma manifestação nacional em Roma dia 5 de Junho, com greves e outras acções planeadas para 14 de Junho. Na Grã-Bretanha, os sindicatos e organizações de esquerda estão a organizar um dia de manifestações a 22 de Junho. No Roménia, funcionários públicos foram às ruas a 4 de Junho.
A resistência contínua na Grécia mostra aos trabalhadores activistas e militantes da esquerda anti-capitalista que as suas lutas podem abrir novos caminhos de avanço e determinar o resultado da actual crise económica. A mais recentes greve geral de 24 horas na Grécia, efectuada a 20 de Maio, registou um êxito do movimento dos trabalhadores na ultrapassagem da campanha de propaganda dos mass media e das calúnias provenientes do governo PASOK (Movimento Socialista Pan-Helénico). Mais de 50 mil pessoas tomaram as ruas de Atenas e realizaram-se manifestações nos principais centros urbanos do país [1] . Os professores do ensino público tomaram parte maciçamente na manifestação de Atenas. A participação na greve foi muito alta no sector público, mas menor no privado. As principais federações sindicais também organizaram um dia de comícios a 5 de Junho. Este combate está longe de acabado.
A greve geral de 5 de Maio
A greve geral e as manifestações de 5 de Maio foram um êxito esmagador. Lançada pela Confederação Geral dos Trabalhadores da Grécia (GSEE) e pelo sindicato dos empregados do estado (ADEDY), o apelo para cessar o trabalho durante 24 horas foi cumprido maciçamente tanto pelos trabalhadores do sector público como do privado. Foram efectuadas manifestações em todas as principais cidades por toda a Grécia, excepto Larissa. Elas realizaram-se em Tripoli e Patra no Peloponeso, em Ioannina e Igoumenitsa no Épiro, em Herakleion (Creta) e também em Salónica, a metrópole ao Norte da Grécia onde milhares de manifestantes tomaram as ruas.
As maiores manifestações verificaram-se em Atenas. As ruas do centro de Atenas foram tomadas por uma inundação humana de 250 mil cidadãos. A sua composição reflectiu a da classe trabalhadora da metrópole grega em toda a sua diversidade: trabalhadores do sector privado, tais como os dos estaleiros Skaramanga do Pireu, trabalhadores de empresas de serviços públicos e do estado, tais como os da companhia de electricidade (DEI), os professores e os enfermeiros do sistema de saúde pública, desempregados e trabalhadores reformados, imigrantes e trabalhadores não documentados, estudantes da universidade e do secundário. Todas as palavras de ordem vindas das fileiras de manifestantes exprimiram a recusa do povo a pagar os custos da crise capitalista desencadeada pela finança global: “Não à tempestade anti-trabalhadores”, “Não à flexibilidade, sim à semana de 35 horas”, “Trabalhadores, levantem-se! Eles estão a tomar tudo o que obtivemos”, “Nós pagámos os seus lucros, não pagaremos a sua crise” [2] .
Johanna, de 30 anos, manifestou-se para “dizer não ao FMI. Eles querem fazer-nos acreditar que vieram aqui para “resgatar” as finanças do estado, mas não acredito nisso minimamente. Quem aceitaria tal tratamento?”
Um profundo sentimento de injustiça está a guiar os protestos da multidão. Yanni, um professor de 30 anos, explicou ao repórter de l’Humanité:
“Toda a gente sente que não há justiça. O dinheiro está ali mas eles não querem ir buscá-lo… Não vejo outro caminho de saída: eles só nos apresentaram uma opção” [3] .
A causas dos movimento contra o FMI/União Europeia/plano de austeridade do governo do PASOK grego foram explicadas por Ilias Vretakou, vice-presidente do sindicato ADEDY:
“Estamos a enviar de Atenas uma mensagem de luta e resistência para os trabalhadores de todos os países europeus, contra a barbárie dos mercados de capital, do governo e da União Europeia. O governo, o FMI e a União Europeia decidiram levar os trabalhadores, a sociedade grega, para a mais selvagem barbárie social que alguma vez conhecemos. Eles estão a nivelar por baixo os trabalhadores e a sociedade. Estão a roubar os nossos salários, estão a roubar nossas pensões, estão a roubar nossos direitos sociais, estão a roubar nosso direito à vida. Eles estão a impor a lei da selva nas relações de trabalho,… reduzindo a taxa salarial para horas extras. Eles tornaram possível para os patrões despedirem um empregado mais velho e contratarem, com o mesmo dinheiro, três ou quatro jovens trabalhadores em condições precárias” [4]
Este discurso provocou aplauso entusiástico da multidão que havia acabado de apupar o líder do GSEE, Panagopoulos, criticado pelos sindicalistas de base pela relutância de Fevereiro no combate às medidas de austeridade [5] . Dentre outros oradores, Claus Matecki (do sindicato alemão DGB) e Paul Fourier (da CGT francesa) também provocaram aplausos vivos, especialmente quando este último declarou: “Hoje, todos nós somos gregos! Obrigado e boa sorte” [6] .
Dentre as forças políticas da esquerda, a Coligação da Esquerda Radical (SYRIZA) e o Partido Comunista Grego (KKE) participaram maciçamente nos protestos. Os social-democratas (PASOK) não tiveram uma presença organizada, apesar das lutas internas da ala esquerda do partido contra o plano de austeridade implementado pelo governo PASOK.
Muitos dos manifestantes votaram PASOK em Outubro de 2009. Eles agora estão desapontados e irados ao descobrir que a esquerda triunfante que expulsou do governo o corrupto governo de direita de Kostas Karamanlis (Nova Democracia) cedeu, sem qualquer combate, à política neoliberal do capital financeiro. Dimitra, uma reformada residente na região de Atenas, esperava que a vitória do PASOK “faria as coisas melhor”. Desapontada, ela está furiosa quando pensa no primeiro-ministro George Papandreu, do PASOK: “Quando penso que votei por idiota!” [7]
A cobertura dos media das manifestações de 5 de Maio centrou-se nos “kukuloforoi”, os “mascarados”, que atacaram fisicamente símbolos da cultura de mercado e do capitalismo financeiro. O banco Marfin e a rua Stadiu no centro de Atenas foram atacados por cocktails Molotov e queimados. Três empregados do banco perderam as suas vidas no incêndio. Os empregados do Marfin foram obrigados a trabalhar naquele dia apesar do apelo à greve e foram literalmente trancados no banco. Não havia plano para saída de emergência, tornando a sua evacuação ainda mais difícil.
A resposta do movimento dos trabalhadores foi imediata e clara como cristal. Na noite de 5 de Maio, o presidente da ADEDY explicou que estas “práticas fascistas pretendem assustar o povo num momento em que a luta de massa é necessária para travar as medidas que lançam a vidas dos gregos na adversidade” [8] . No dia seguinte, 6 de Maio, uma multidão de luta reuniu-se na Praça Sintagma, em frente ao Bouli (parlamento grego), a fim de denunciar a adopção do plano de austeridade pelos representantes eleitos da Assembleia Nacional [9] .
Este desencadear da violência de rua não deixa de se relacionar com a exasperação para com o governo Papandreu. O plano de austeridade imposto ao povo grego pelos mercados financeiros – as principais instituições financeiras, o FMI e a União Europeia – é uma flagrante negação da soberania nacional e da democracia. Além disso, o governo aguenta-se no chão desde Fevereiro e recusa-se a atender à mensagem das ruas. Ao invés disso, intensifica o autoritarismo do plano de austeridade: desde que foi aprovado pela Assembleia Nacional em 6 de Maio (com os votos dos socialistas PASOK, da Nova Democracia e dos nacionalistas-racistas do LAOS), ele será aplicado através de uma série de ordens do Ministério das Finanças, não deixando qualquer espaço para a interferência parlamentar e limitando os representantes eleitos do povo a uma capacidade consultiva puramente formal.
A falta de legitimidade democrática do plano portanto abre a porta, em alguns componentes mas margens do movimento social, a conceitos de legitimidade da violência de rua (choques com a polícia, queima de vários símbolos da ordem capitalista, etc). O partido da ordem capitalista encabeçado pelo PASOK tem portanto como corolário a violência dos “kukuloforoi” nas mobilizações. Totalmente alheio aos “mascarados”, o flagrante impulso autoritário das medidas de austeridade alimenta uma aguda tendência anti-parlamentar dentro de secções do movimento dos trabalhadores. Slogans tais como “Deixe-os queimar!” ou “Entreguem os ladrões ao povo!” foram gritadas várias vezes na manifestação. Dúzias de manifestantes também tentaram cortas as linhas de segurança do Parlamente, até serem violentamente repelidas pelas forças policiais [10] .
Olhar o antes e o após 5 de Maio
As acções de 5 de Maio registaram um êxito porque foram preparadas: a unidade da mobilização em massa não foi uma resposta espontânea, mas antes o resultado de três meses de mobilizações dos sindicatos de trabalhadores. Já em 24 de Fevereiro, o movimento sindical comprometeu-se a combater o anunciado plano de austeridade, negando portanto à classe dominante e seus porta-vozes um monopólio da informação e da política. É precisamente este criticismo, efectuado através de acções nas ruas e lugares de trabalho, os quais permitiram ao movimento social comunicar possíveis cenários diferentes daquele escrito pelo capital financeiro. Portanto, a noção reaccionária e desmobilizadora de que este plano é um mal necessário foi abalada, abrindo o caminho para o contra-ataque popular.
Em 24 de Fevereiro, a primeira greve geral respondeu às medidas de austeridade anunciadas pelo governo. Em Atenas, 45 mil pessoas estiveram nas ruas; em Salónica, havia 10 mil. Na manifestação de Atenas, Dimitri, um engenheiro civil de 28 anos, explicou as razões da mobilização: “Queremos um emprego, salários decentes e um verdadeiro sistema de segurança social. Nosso país tem de respeitar normas da União Europeia que são injustas” [11] . Uma segunda greve geral de 24 horas teve lugar a 11 de Março, juntamente com manifestações nas principais cidades do país.
As greves gerais de 24 horas (24 de Fevereiro, 11 de Março, 5 de Maio e 20 de Maio) foram sem dúvida os exemplos mais visíveis das mobilizações populares contra a austeridade. Mas outras acções, de âmbito mais limitado, desempenharam um papel crucial para elevar a força e assegurar a continuidade do movimento de resistência. Fabrien Perrier, repórter do diário l’Humanité, do PCF, sublinhou a atmosfera de agitação social tomava conta de Atenas no fim de Abril. “Em Atenas, a cada dia, as ruas estão a reflectir os gritos dos manifestantes e a ira de corpos profissionais” [12] .
Muitas destas mobilizações ajudaram a preparar a greve geral. Em 5 de Março, por exemplo, foram efectuadas reuniões em massa em muitas cidades para preparar a greve geral de 11 de Março. A reunião em Volos (uma cidade na costa da Tessália, Norte de Atenas) reuniu não só sindicalistas como também trabalhadores despedidos da METKA, antecedendo um concerto de solidariedade de muitos artistas. Da mesma maneira, o 1º de Maio estimulou as mobilizações de massa antes da greve geral de 5 de Maio. O sindicato dos empregados do estado (ADEDY) apelou à greve de 4 de Maio pela mesma razão. O seu apelo foi seguido e foram efectuadas manifestações naquele dia.
Estas mobilizações limitadas também permitiram ao movimento dos trabalhadores empenhar-se na batalha para ganhar a opinião pública. Muitas acções portanto responderam ao governo a cada volta da crise. Portanto, quando George Papandreu efectuou uma conferência de imprensa a 25 de Abril para anunciar que desencadearia o mecanismo europeu de apoio financeiro, centenas de manifestantes responderam nas ruas do centro de Atenas a gritas: “A luta do povo destruirá a carnificina do FMI” [13] . Dois dias depois, a 27 de Abril, funcionários públicos estavam em greve e professores estavam a acampar na Praça Sintagma, em frente ao Parlamento, para denunciar a hemorragia sofrida pelo sistema público de educação. Nesse meio tempo, o porto de Pireu foi bloqueado por uma greve de 24 horas dos trabalhadores marítimos a seguir ao apelo do seu sindicato, o PNO.
Passo a passo, o que parecia inevitável na cabeça da maioria tornou-se uma questão a ser resolvida pela correlação de forças. Um inquérito de opinião do jornal grego To Vima estimou a proporção daqueles contra a redução de salários em 79,5% da população [14] . Dentro do movimento social, os participantes estão a ganhar confiança e a ideia de que o resultado da luta ainda não está estabelecido ganha terreno. Despina, de 27 anos, não tomou parte nas manifestações de 4 de Maio de empregados públicos. Ela sublinhou contudo ao repórter do Humanité que “aqueles que estão no movimento estão certos: eles entenderam as causas deste movimento. Os funcionários públicos são as primeiras [vítimas directas das medidas de austeridade], mas todos na Grécia vão sofrer. Os sindicatos estão unidos e o governo está começando a abalar” [15] .
Todas as pessoas progressistas saúdam a resistência dos trabalhadores gregos à ditadura do capital financeiro. As mobilizações dos últimos três meses têm sido dignas da herança política da luta contra a junta ditatorial (1967-1974) e da resistência anterior ao fascismo. Muitas questões cruciais ainda estão para serem resolvidas.
Antes de mais nada, a estratégia seguida pela liderança sindical está aberta ao questionamento. Face a um governo que se recusa a atender aos protestos do povo nas ruas e além disso obriga o parlamento a aplicar medidas ditadas pelos grandes negócios, não haverá um risco de que repetidas greves de 24 horas acabassem por ser a prova da impotência do movimento para alterar o curso dos acontecimentos? O movimento dos trabalhadores em França sofreu um retrocesso desmoralizante na Primavera do ano passado após três rodadas de greves gerais de 24 horas. O desenlace dos acontecimentos ainda não está decidido na Grécia.
Mas o tempo poderia estar do lado dos trabalhadores, desde que os seus líderes tenham a coragem necessária. Até quando, por exemplo, poderia o governo PASOK e seus parceiros europeu aguentar-se face a uma greve geral ilimitada dirigida por assembleias-gerais do movimento de massa?
Uma segunda questão relaciona-se com a estrutura organizativa do movimento social. Será ela capaz de unir-se numa vou ou plataforma única? Será capaz de estabelecer um órgão democrático e unificado que fale pelos seus diferentes componentes nas ruas e assegure controle autónomo das suas mobilizações?
Estas questões parecem cruciais uma vez que determinarão durante os próximos meses o êxito ou o fracasso da tentativa dos trabalhadores de dar nascimento a novas possibilidade e portanto repelir a fatalidade da barbárie neoliberal. As apostas são altas: o futuro imediato do estado social está a ser decidido hoje nas ruas de Atenas.
Notas
1. Ver “Grèce, après la grève” by Andreas Sartzekis.
2. Avgi, May 6.
3. L’Humanité, May 6.
4. Avgi, May 6.
5. A primeira greve contra as medidas de austeridade foi lançada pela ADEDY dos empregados do estado em 11 de Fevereiro, ao passo que as lideranças de topo do GSEE recusaram-se a aderir argumentando que os interesses dos trabalhadores do sector privado não eram postos em perigo pelos anúncios do governo. É útil sublinhar que Panagopoulos é membro do Movimento Socialista Pan-helénico (PASOK) encabeçado pelo primeiro-ministro George Papandreu. Face à crescente pressão das bases, os líderes do GSEE alinharam com a ADEY a 24 de Fevereiro durante a primeira greve geral de 24 horas. L’Humanité, May 6.
6. L’Humanité, May 6.
7. L’Humanité, May 11.
8. Avgi, May 6.
9. Avgi, May 7.
10. Avgi, May 6.
11. L’Humanité, February 25.
12. L’Humanité, April 27.
13. Avgi, April 25.
14. L’Humanité, May 5.
15. L’Humanité, May 5.
[*] Natural de Quebec, vive em Paris. Uma versão anterior deste artigo foi publicada em francês com o título “La résistance sociale en Grèce: bilan et perspectives”.
O original encontra-se em http://www.socialistproject.ca/bullet/366.php
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
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Fonte: http://tilesexperts.com/wordpress/os-illuminati/greve-geral-na-europa-franca-grecia-portugal-e-espanha/
domingo, 12 de setembro de 2010
A Quoi ÇA Sert L'amour


Edith Piaf
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O que é o dia 28 de setembro
Esta data foi tirada no No 5º Encontro Feminista Latinoamericano e do Caribe (Argentina, 1990) e desde 1993 diversas ações são feitas nos países da região.
A construção da frente no Brasil:
A Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto foi criada nacionalmente em 28 de setembro de 2008 para atuar contra a criminalização das mulheres, a partir da criminalização das mulheres de Mato Grosso do Sul. Neste estado, uma clínica foi fechada e duas mil mulheres foram expostas publicamente. Hoje há um processo de condenação das mulheres que supostamente abortaram e das trabalhadoras da clinica, que está fechada.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Privatizado
É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário.
E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.
Bertold Brecht
Grito dos excluidos 2010 - Campina Grande
Local: Colégio Plinio Lemos
Data: 04/09/2010
Hora: a partir das 0800h
Programação
0800 Animação e acolhida dos participantes. Café da manhã
0900 Abertura e mística inicial
0930 Apresentação da mesa (convidados e cordenadores de oficinas)
1015 Inicio dos trabalhos nas oficinas
1200 Almoço
1300 Apresentações culturais
1430 Apresentação dos trabalhos das oficinas
1600 Caminhada pelas ruas do bairro Monte Castelo
Encerramento: Leitura da Carta do Grito 2010
Mística final
Oficinas:
1. Plebiscito: Resp. Comissão Pastoral da Terra (CPT)
2. Campanha “Voto vendido, povo vencido”: Resp. TRE-PB
3. Políticas Públicas: Resp. Centrac
4. Direitos e Cidadania: Resp. Ajurcc/PJMP
5. Direitos do Idoso: Past. da Pessoa Idosa (Carmem)
6. Meio ambiente: Resp. Cáritas
7. Violência doméstica: Resp. Zé Rodrigues
8. Mística e Relações Humanas: Resp. CEBI
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Eu apóio o MST: Dom Pedro Casaldáliga
Veja vídeo com depoimento de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), sobre a importância da luta do MST.
"O MST é uma força alternativa. É uma força autônoma e estritamente popular, no sentido forte da palavra. Inclusive, mais do que um movimento, eu diria que deve ser sempre um estímulo, uma cutucada, para a movimentação.
"[A luta vai continuar] enquanto houver latifúndio, produtivo ou improdutivo, no meu entender, porque latifúndio é sempre acumulação, sempre é exclusão, sempre é prepotência”.
Veja mais vídeos em http://www.mst.org.br/multimidia
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Dados para o debate sobre a Reforma Agrária
Há 16 milhões de trabalhadores na agricultura brasileira. Destes, 15 milhões trabalham na agricultura familiar, em pequenas unidades.
Temos quatro milhões de famílias sem terra, que trabalham para os outros. Destes, três milhões recebem bolsa família do governo para não passar fome.
Estima-se que apenas 1,6 milhões de trabalhadores conseguem emprego nas fazendas do agronegócio.
Cerca de 56% dos adultos presentes no campo são analfabetos. A renda média é de 70% do salário mínimo.
A agricultura familiar com apenas 25% da área plantada, produz 38% do valor bruto da produção. Enquanto o agronegócio com 75% da área plantada, produz 62% do valor bruto da produção. A agricultura camponesa possui um índice de produtividade superior ao do agronegócio.
AGRICULTURA FAMILIAR / REFORMA AGRÁRIA
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AGRONEGÓCIO
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- Total de estabelecimentos: 4.448.648 (85%9)
- Área (ha): 70.691.700 (21,4%)
- Subsídios do governo R$ (2009/10): 15 bilhões
- Retorno Financeiro R$ (em 01 hectare ): 677,00
- Pessoal ocupado: 12,3 milhões
- Valor Bruto da produção por área total (R$/ha/ano): 515
- A agricultura familiar responde por 75% da produção de alimentos.
- A reforma agrária poderia beneficiar diretamente no Brasil 06 milhões de famílias ou 30,6 milhões de pessoas. Pessoas que não se aglomerariam na periferia urbana, forçando para baixo o salário dos trabalhadores urbanos. |
- Total de estabelecimentos: 726.841 (14,1%)
- Área (ha): 259.249.696 (78,6%)
- Subsídios do governo R$ (2009/10): 93 bilhões
- Retorno Financeiro R$ (em 01 hectare ): 368,00
- Pessoal ocupado: 4,2 milhões
- Valor Bruto da produção por área total (R$/ha/ano): 322
- No último século 50 milhões de trabalhadores foram expulsos do campo. Mais de 11 milhões de famílias vivem em favelas.
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Diga sim e coloque limites em quem não tem!
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BRASIL DE FATO
Uma visão Popular do Brasil e do Mundo
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia
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DEBATE PÚBLICO
CONVITE
DEBATE PÚBLICO
Na próxima quarta-feira, vinte e cinco de agosto, às dezoito horas e trinta minutos, no auditório do Colégio Imaculada Conceição (DAMAS), o SINTAB estará promovendo um debate com os candidatos ao governo do Estado da Paraíba. Será para nós, uma grande honra, contar com vossa presença nesse evento.
Endereço do Colégio Damas- Praça da Bandeira, 23, Centro.
Campina Grande-PB, 23 de agosto de 2010.
Direção.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Mobilização Nacional pela Reforma Agrária
Todos os brasileiros temos direitos e deveres iguais.
Infelizmente, a sociedade brasileira é uma das mais injustas do mundo. Um por cento dos mais ricos controlam 41% de todas riquezas e 46% de todas as terras.
Milhões de hectares seguem improdutivos, guardados para especulação e acumulação.
Nos últimos anos, milhões de hectares foram apropriados por empresas estrangeiras, enquanto 4,5 milhões de famílias de trabalhadores rurais não tem terra.
O Brasil precisa de uma verdadeira reforma agrária, que democratize a propriedade. O censo de 2006 revelou que a concentração da propriedade agora é maior do que em 1920!
O MST é herdeiro das lutas históricas de nosso povo, em especial do movimento camponês - tantas vezes reprimido, massacrado.
Defendemos uma Reforma Agraria Popular, que significa democratizar a propriedade da terra, priorizar a produção de alimentos, produzir sem agrotóxicos (com técnicas da agroecologia).
É fundamental também democratizar a educação no campo, em todos os níveis, desenvolver agroindústrias na forma de cooperativas. Dessa forma, a juventude terá oportunidades para viver, estudar e trabalhar no campo.
Participe você também! Neste mês de agosto, vista o boné do MST e defenda a Reforma Agrária.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Como os EUA financiaram mais de 150 jornalistas contra Chávez
Documentos recentemente desclassificados do Departamento de Estado dos Estados Unidos através da Lei de Acesso à Informação (FOIA, por suas siglas em inglês) evidenciam mais de US$ 4 milhões em financiamento a meios e jornalistas venezuelanos durante os últimos anos.
O financiamento tem sido canalizado diretamente do Departamento de Estado através de três entidades públicas estadunidenses: a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, por suas siglas em inglês), Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid).
Em uma tosca tentativa de esconder suas ações, o Departamento de Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas recebendo esses fundos multimilionários. No entanto, um documento datado de julho de 2008 deixou sem censura os nomes das principais organizações venezuelanas recebendo os fundos: Espaço Público e Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS).
Espaço Público e IPYS são as entidades que figuram como as encarregadas de coordenar a distribuição dos fundos e os projetos do Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e jornalistas venezuelanos.
Os documentos evidenciam que a PADF, o FUPAD, em espanhol, implementou programas na Venezuela dedicados à "promoção da liberdade dos meios e das instituições democráticas", além de cursos de formação para jornalistas e o desenvolvimento de novos meios na Internet devido ao que considera as "constantes ameaças contra a liberdade de expressão" e "o clima de intimidação e censura contra os jornalistas e meios".
Financiamento a páginas web anti-Chávez
Um dos programas da Fupad, pelo qual recebeu US$ 699.996 do Departamento de Estado, em 2007, foi dedicado ao "desenvolvimento dos meios independentes na Venezuela" e para o jornalismo "via tecnologias inovadoras". Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25 páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro. Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em âmbito nacional, que também incluiu a outorga de "prêmios" de 25 mil dólares a vários jornalistas.
Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a realidade sobre o que acontece no país.
Outros programas manejados pelo Departamento de Estado selecionaram jovens venezuelanos para receber treinamento e capacitação no uso dessas tecnologias e para criar o que chamam uma "rede de ciberdissidentes" na Venezuela.
Por exemplo, em abril deste ano, o Instituto George W. Bush, juntamente com a organização estadunidense Freedom House, convocou um encontro de "ativistas pela liberdade e pelos direitos humanos" e "especialistas em Internet" para analisar o "movimento global de ciberdissidentes". Ao encontro, que foi realizado em Dallas, Texas, foi convidado Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da Venezuela.
No ano passado, durante os dias 15 e 16 de outubro, a Cidade do México foi a sede da 2ª Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis ("AYM", por suas siglas em inglês). Patrocinado pelo Departamento de Estado, o evento contou com a participação da Secretária De Estado Hillary Clinton e vários "delegados" convidados pela diplomacia estadunidense, incluindo aos venezuelanos Yon Goicochea (da organização venezuelana Primero Justicia); o dirigente da organização Venezuela de Primera, Rafael Delgado; e a ex-dirigente estudantil Geraldine Álvarez, agora membro da Fundação Futuro Presente, organização criada por Yon Goicochea com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.
Junto a representantes das agências de Washington, como Freedom House, o Instituto Republicano Internacional, o Banco Mundial e o Departamento de Estado, os jovens convidados receberam cursos de "capacitação e formação" dos funcionários estadunidenses e dos criadores de tecnologias como Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e Youtube.
Financiamento a universidades
Os documentos desclassificados também revelam um financiamento de US$ 716.346 via organização estadunidense Freedom House, em 2008, para um projeto de 18 meses dedicado a "fortalecer os meios independentes na Venezuela". Esse financiamento através da Freedom House também resultou na criação de "um centro de recursos para jornalistas" em uma universidade venezuelana não especificada no relatório. Segundo o documento oficial, "O centro desenvolverá uma rádio comunitária, uma página web e cursos de formação", todos financiados pelas agências de Washington.
Outros US$ 706.998 canalizados pela Fupad foram destinados para "promover a liberdade de expressão na Venezuela", através de um projeto de dois anos orientado ao jornalismo investigativo e "às novas tecnologias", como Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre outras. "Especificamente, a Fupad e seu sócio local capacitarão e apoiarão [a jornalistas, meios e ONGs] no uso das novas tecnologias midiáticas em várias regiões da Venezuela".
"A Fupad conduzirá cursos de formação sobre os conceitos do jornalismo investigativo e os métodos para fortalecer a qualidade da informação independente disponível na Venezuela. Esses cursos serão desenvolvidos e incorporados no currículo universitário".
Outro documento evidencia que três universidades venezuelanas, a Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a Universidade Santa Maria, incorporaram cursos sobre jornalismo de pós-graduação e em nível universitário em seus planos de estudos, financiados pela Fupad e pelo Departamento de Estado. Essas três universidades têm sido os focos principais dos movimentos estudantis antichavistas durante os últimos três anos.
Sendo o principal canal dos fundos do Departamento de Estado aos meios privados e jornais na Venezuela, a Fupad também recebeu US$ 545.804 para um programa intitulado "Venezuela: As vozes do futuro". Esse projeto, que durou um ano, foi dedicado a "desenvolver uma nova geração de jornalistas independentes através do uso das novas tecnologias". Também a Fupad financiou vários blogs, jornais, rádios e televisões em regiões por todo o país para assegurar a publicação dos artigos e transmissões dos "participantes" do programa.
A Usaid e a Fupad
Mais fundos foram distribuídos através do escritório da Usaid em Caracas, que maneja um orçamento anual entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões. Esses milhões fazem parte dos 40 a US$ 50 milhões que anualmente as agências estadunidenses, europeias e canadenses estão dando aos setores antichavistas na Venezuela.
A Fundação Panamericana para o Desenvolvimento está ativa na Venezuela desde 2005, sendo uma das principais contratistas da Usaid no país sulamericano. A Fupad é uma entidade criada pelo Departamento de Estado em 1962, e é "filiada" à organização de Estados Americanos (OEA). A Fupad implementou programas financiados pela Usaid, pelo Departamento de Estado e outros financiadores internacionais para "promover a democracia" e "fortalecer a sociedade civil" na América Latina e Caribe.
Atualmente, a Fupad maneja programas através da Usaid com fundos acima de US$ 100 milhões na Colômbia, como parte do Plano Colômbia, financiando "iniciativas" na zona indígena em El Alto; e leva dez anos trabalhando em Cuba, de forma "clandestina", para fomentar uma "sociedade civil independente" para "acelerar uma transição à democracia".
Na Venezuela, a Fupad tem trabalhado para "fortalecer os grupos locais da sociedade civil". Segundo um dos documentos desclassificados, a Fupad "tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs venezuelanas".
Os "sócios" venezuelanos
Espaço Público é uma associação civil venezuelana dirigida pelo jornalista venezuelano Carlos Correa. Apesar de sua página web (www.espaciopublic.org) destacar que a organização é "independente e autônoma de organizações internacionais ou de governos", os documentos do Departamento de Estado evidenciam que recebe um financiamento multimilionário do governo dos Estados Unidos. E tal como esses documentos revelam, as agências estadunidenses, como a Fupad, não somente financiam grupos como o Espaço Público, mas os consideram como seus "sócios" e desde Washington lhes enviam materiais, linhas de ação e diretrizes que são aplicadas na Venezuela, e exercem um controle sobre suas operações para assegurar que cumprem com a agenda dos Estados Unidos.
O Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) é nada mais do que um porta-voz de Washington, criado e financiado pelo National Endowment for Democracy (NED) e por outras entidades conectadas com o Departamento de Estado. Seu diretor na Venezuela é o jornalista Ewald Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. IPYS é membro da agrupação Intercâmbio Internacional de Livre Expressão (IFEX), financiado pelo Departamento de Estado e é parte da Rede de Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa financiada pela NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comitê para a Assistência para uma Cuba Livre.
Fonte: Diário Liberdade





