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sábado, 25 de agosto de 2012

vontade...


Vontade de saber mais daquilo que sei
Vontade de amar mais do que amo
Vontade de ser mais do que penso que sou
Vontade de sentir mais do que sinto
Vontade de viver mais do pouco que já vivi
Vontade...
Vontade de não ter Vontade


Patrícia Ribeiro
25/08/12

terça-feira, 31 de julho de 2012

entender...


"... queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro — preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender"

Clarice Lispector

ao meu pequeno Cael...

ele vem vindo
um guerreiro menino
um doce encanto que chuta
e que traz alegria

traz contigo essa luz
essa linda paz
essa magia
e transforma tudo mais em fantasia

vem meu pequeno Cael
meu menino lindo...
vem meu grande
e verdadeiro amor

vem sem medo, meu denguinho
que aqui só tem carinho,
chamegos
e muitos cheirinhos

chega sorrindo, meu anjo
chega sentindo nosso calor
chega sonhando com o mundo
e cantando por mais amor


Patrícia Ribeiro
30/07/12

Espia!


Tenho o amor aqui dentro de mim,
ele emana por meu olhar
e se espalha com meu perfume.
Espia! Ele ainda esta aqui...
mas agora também está em todo lugar.


Patrícia Ribeiro
31/07/12

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ilusão

Estava pensando
e se...
o tempo pudesse nos ajudar a esquecer
e se...
a vida fosse mais simples do que imagino
e se...
o amor realmente existisse
e se...
as pessoas soubessem cuidar
e se...
eu acreditasse em tudo isso!


Patrícia Ribeiro
13.06.12

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O amor...

Camboinha 3 - Cabedelo-PB
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


(João Cabral de Melo Neto)

terça-feira, 5 de junho de 2012

sentindo...

dia de intensas e novas sensações...
te senti mais vivo do que nunca dentro de mim
uma sensação inexplicável...
adorável

cresce!
meche!
remexe!
se bula aqui dentro meu menininho...

me faça te sentir e me sentir
faça-me acreditar nessa felicidade,
na sua paz... nesse amor puro
e verdadeiro.


http://www.youtube.com/watch?v=wSy_TxOid6k


sexta-feira, 1 de junho de 2012



 
 ”Somente quem tem o caos dentro de si pode dar à luz uma estrela bailarina.” (Nietzsche)

Prece à Iemanjá

Numa só pele
te sinto
e me sinto no mesmo instante
numa só mão
num só corpo...

Te sinto
e sinto não apenas o seu cheiro
mas o nosso cheiro.
Esse cheiro que me entontece, permanece impregnado em minha pele
Fecho os olhos e ainda sinto suas mãos tocando meu corpo.

Numa só respiração,
sinto o ar que enche seus pulmões,
o batimento de seu peito, o pulsar de suas veias
me tranqüilizo...

Em teu peito repouso meu corpo e minha mente
como que imersa na calmaria de um mar de águas quentes e transparentes
lá, onde só as estrelas, a lua e Iemanjá podem nos observar.

Me vejo e te vejo ao mesmo tempo.
São seus olhos e os meus olhos dentro dos seus?
Ou será que são meus olhos e os seus dentro deles?
Seu sorriso me ilumina como uma luz mágica

de amor... de felicidade...
meu coração se encolhe dentro de mim
e minh’alma se expandisse pro infinito.

... mais doida.


Despertar


No despertar de novos sonhos
a intensidade... não é mais que uma palavra comum
a sensibilidade floresce e se multiplica
aqui... dentro.

As gotas de chuva, mais que pingos d’agua,
são bolhas d’agua, mais claras, mais deliciosas...
A pele não mais sente,
capta!
Qualquer calor, qualquer toque, qualquer aproximação...

Novos horizontes surgem como um novo olhar
Uma estrada se constrói
paralela a esta que caminho agora
mais larga,
mais cheia de flores,
mais completa de alegria.

O vermelho continua cobrindo suas pedras
a direção continua a mesma
a distância parece um pouco maior,
talvez seja devido a velocidade do meu caminhar
que com o passar dos dias estão mais calmos
mais serenos
mais contidos.

Neste novo despertar
muito do que fui, senti e vive permanecem
como sombras, ou como luzes...
mas não tenho medo
E quero apenas ao meu lado pessoas sem medo
Amigos, companheiros,
irmãos
e amores.


Patrícia Ribeiro

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Viva!


"Quando o coração está aberto para o amor, para a confiança, quando o coração está entregue ao todo, então um novo tipo de insight surge em você - uma clareza, uma compreensão tremendamente profunda do que é a vida, de quem você é, da razão pela qual essa existência existe, para começar." (Osho)

domingo, 22 de abril de 2012

É o que me interessa



Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa

quinta-feira, 9 de junho de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

O diagnóstico e a terapêutica

O amor é uma das doenças mais bravas e contagiosas.
Qualquer um reconhece os doentes dessa doença.
Fundas olheiras delatam que jamais dormimos, despertos noite após noite pelos abraços, ou pela ausência de abraços, e padecemos febres devastadoras e sentimos uma irresistível necessidade de dizer estupidezes.
O amor pode ser provocado deixando cair um punhadinho de pó de me ame, como por descuido, no café ou na sopa ou na bebida.
Pode ser provocado, mas não pode impedir.
Não o impede nem a água benta, nem o pó de hóstia; tampouco o dente de alho, que nesse caso não serve para nada.
O amor é surdo frente ao Verbo divino e ao esconjuro das bruxas.
Não há decreto de governo que possa com ele, nem poção capaz de evitá-lo, embora as vivandeiras apregoem, nos mercados, infalíveis beberagens com garantia e tudo.


Eduardo Galeano