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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Atingido por Barragem é assassinado em Aroeira - PB


Na noite de ontem (29/07) o trabalhador rural do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) da Paraíba, conhecido como Joãzinho, irmão de uma das líderanças do movimento, foi assassinado com tiros pelas costas. A emboscada foi montada próximo a sua residência em Pedro Velho, um dos três reaasentamentos onde estão alojadas 470 famílias atingidas pela construção da barragem de Acauã.


Militantes do MAB já vinham denunciando há algumas semanas o crescente clima de tensão na região, causado por ameaças de morte aos integrantes do movimento. Na semana anterior um rapaz que passava de moto próximo a um dos reassentamentos, em Itatuba, foi atingido com um tiro pelas costas, o que, de acordo com os dirigentes do movimento pode ter relação com as ameaças.


Atingidos por barragem lutam por terra


Após violento despejo (4/05), 120 famílias atingidas pela barragem de Acauã, montaram acampamento em terreno público, pertencente a prefeitura de Itatuba, próximo a fazenda Mascadi, onde ficaram acampadas durante dois meses aguardando vistoria do INCRA.


As famílias ficaram muito assustadas após as cenas de violência que viveram no despejo, realizado por 100 policiais militares e alguns jagunços da fazenda que aproveitaram a situação e atearam fogo em lonas e colchões dos acampados. Mesmo com a repressão, as familias se mantiveram organizadas e o acampamento a cada dia recebia mais e mais atingidos.


Há aproximadamente uma semana se iniciaram ameaças de morte a lideranças do acampamento, avisando que caso eles insistissem em permanecer no local assassinariam a eles e suas familias.


Desde então o clima de terror se alastrou na comunidade de Melancia (agrovila próxima ao acampamento) no município de Itatuba. Essa é mais uma página de uma longa de história de injustitas, vivida por essas familias atingidas.


Seis anos de injustiça e de luta


Há seis anos, 800 famílias paraibanas vivem difícil saga após a construção da barragem de Acauã. Todas viviam da agricultura, mas tiveram de deixar suas terras para a instalação da barragem. Desde então essas famílias nunca mais puderam recuperar sua antiga situação social, vivendo hoje em agrovilas, sem terra para cultivar e em pequenas casas de placa.


Foram muitas lutas travadas nesses seis anos, por indenizações justas, por reassentamento, por estruturas dignas de moradia, por escolas, posto de saúde e outros serviços sociais, como também por transporte e vias de acesso as comunidades.


Antes e depois da barragem


Antes da construção da barragem, as populações das comunidades atingidas viviam em áreas rurais, possuindo modo de vida compatível com o local de moradia e trabalho. Havia pesca de subsistência e, mesmo em condições humildes, os moradores possuíam uma vida digna, com habitações adequadas ao número de membros de cada família, acesso à água, alimentação adequada, garantida pelo trabalho que desempenhavam nas pequenas lavouras e pequenas criações, lazer, vida religiosa e social, escolas e postos de saúde, etc, além da possibilidade de negociar a produção nas comunidades vizinhas.


Depois da barragem, não foram garantidos aos atingidos os meios de vida que possuíam antes de serem desalojados de suas propriedades. Eles foram obrigados a mudar seu modo de vida: saíram de uma vida tradicionalmente rural para um meio “urbano” (sem que tenha a estrutura de uma aglomeração urbana). Não há terras agricultáveis, nem terrenos que permitam a criação de animais.


A degradação social e econômica elevou o número de casos de alcoolismo, além de aumentar os episódios de violência. As crianças não estudam, ou estudam sob péssimas condições. O esgoto corre a céu aberto. Muitos moradores não têm registro civil. Nenhum assentado possui documentação relativa à propriedade do imóvel que recebeu e em que reside. As comunidades são praticamente inacessíveis ou têm acesso muito difícil. Nenhuma é servida por transporte público regular. Nenhuma possui ambulância. Apenas alguns moradores são beneficiados por programas sociais do governo federal, sendo que os municípios não utilizam todos os benefícios previstos para serem concedidos às suas populações. As comunidades não recebem informações acerca desses programas, não sabendo como pleiteá-los. Muitos não têm acesso aos mesmos por não possuírem documentos de identidade.


A Barragem de Acauã foi concluída em 2002 e está localizada no Rio Paraíba, entre os municípios de Aroeiras, Itatuba e Natuba. Ela ocupa uma área de 1.725 hectares e causou o deslocamento de 4,5 mil pessoas (cerca de 800 famílias) que tiravam seu sustento do rio. Os povoados foram completamente inundados.


O Ministério Público Federal na Paraíba pede, por liminar, que a Justiça Federal mande o estado pagar uma remuneração mensal de um salário mínimo às famílias atingidas pela barragem, até que seja constatado que estejam construídas estruturas de produção que assegurem trabalho e renda à comunidade. Para o MPF, a remoção das comunidades desestruturou a economia das famílias, que ficaram sem uma atividade produtiva, além de terem sido encaminhadas para conjuntos habitacionais sem serviços e atividades essenciais.


Contra a criminalização dos Movimentos Sociais:


Exigimos imediata apuração e punição dos responsáveis pelo assassinato atingido Joãozinho em Pedro Velho!


Exigimos o fim das ameaças e violência em Itatuba, e punição dos agressores!


Exigimos reassentamento imediato das famílias atingidas!


Exigimos revisão das idenizações!


Movimento dos Atingidos por Barragens-PB
Comitê contra a Criminalização dos Movimentos Sociais
Mais informações:
Tel: 83 88222397; 83 88134661
Vídeo sobre a situação dos atingidos pela barragem de acauã
http://www.mabnacional.org.br/multimidia/videos.html

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Inauguração DATERRA - LIVROS E PRODUTOS ECO-SOCIAIS

No dia 15 de janeiro Brasília ganhou sua primeira loja especializada em livros e produtos eco-sociais, a DATERRA - LIVROS E PRODUTOS ECO-SOCIAIS. A festa de inauguração acontecerá no dia 15 de fevereiro no SCLN 408 Bloco "E" Loja 12 Térreo – Brasília/DF; a partir das 18:30.

A loja tem por princípio tornar acessível a leitura de qualidade, bem como valorizar o trabalho das populações tradicionais, das famílias agroextrativistas, do(a) agricultor(a) familiar - incluindo-se aí as cooperativas de reforma agrária. Sempre dando prioridade aos produtos da agricultura de base ecológica (socialmente justos e agroecológicos).

Atualmente a loja DATERRA tem como parceiros:
- Central do Cerrado (produtos eco-sociais);
- Sorbê (picolés artesanais em 12 sabores do Cerrado);
- Bionatur (sementes agroecológicas de hortaliças);
- Originários (cordel em camisetas artesanais);
- Copavi (açúcar mascavo e cachaça agroecológica);
- Editora Expressão Popular;
- Editora do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC).

As cooperativas que tenham interesse em fornecer produtos agroecológicos/eco-sociais (ex: mel, doces, arroz, açúcar mascavo, geléias, castanhas, café, sabonetes, frutas desidratadas, chás, entre outros) precisam preencher um cadastro para fornecimento.

Contato:
Gustavo Assis (Administração) - Tel. (61) 8131-6210
e-mail: assis.gustavo@gmail.com
Nonato Silva (Vendas) - Tel. (61) 8413-7243
e-mail: noneitos@gmail.com

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Ato Publico na Paraíba Contra a Transposição


Segunda feira (10/12/07) a Frente Paraibana em Defesa da Terra, das Águas e dos Povos do Nordeste, realizou um Ato Público em frente ao Ibama da Avenida Pedro II João Pessoa - PB, em apoio à greve de fome de Dom Luiz Cappio contra a TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO.

Como podemos perceber a situação em relação à transposição do Rio São Francisco aqui na Paraíba, não é assim tão pacífica quanto à imprensa faz questão de informar (ou melhor, desinformar).

Temos, aqui, um debate muito sério e importante para que a população, frequentemente alienada pela "política" local; consiga compreender o agravante, conseqüências e objetivos presentes neste projeto político-agro/hidro negócio.

A Frente, continua com esforços incalculáveis, organizando e articulando: manifestações, debates, publicações, seminários, caravanas e etc.; no sentido de conscientizar a população sobre o assunto, e instigar uma discussão popular.

Nesta quinta-feira à noite, uma caravana de pessoas, representantes de movimentos sociais e religiosos saiu de João Pessoa em direção a Cabrobó (PE), onde o Bispo Dom Luiz Flávio Cappio, faz jejum contra o projeto de transposição.


Frente Paraibana em Defesa da Terra, das Águas e dos Povos do Nordeste, composta por: MST, CPT, Caritas, Serviço Pastoral do Migrante, Centro Acadêmico de Biologia, DCE UFPB, MAB, ASA-Articulação do Semi-Árido, ASPTA, Setor Juventude da Arquidiocese da Paraíba, Gabinete de Paula Frassinete, CEDOR, Juventude Franciscana de Santa Rita, Cabedelo e Tito Silva, Pequenas Comunidades das Irmãs Inseridas, AMB, Sinter, Grupos de Teatro do Oprimido Loucos Por Mudança, G.R.I.T.O. e os Incomodados Mudam a Situação, MPA, MAB, Cunhã, Consulta Popular, APAN.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Bispo retoma jejum por arquivamento da transposição do São Francisco

Às 9h30 da manhã de hoje (27), o bispo da diocese de Barra (BA), Dom Frei Luiz Flávio Cappio, reiniciou, na Capela de São Francisco, em Sobradinho (BA), ao pé da barragem da localidade, a greve de fome pelo arquivamento definitivo do projeto de transposição de águas do rio São Francisco e pela retirada do exército do eixo norte e do eixo leste do rio.

Em carta enviada ao presidente Lula, Dom Luiz recorda o compromisso firmado pelo governo, em outubro de 2005, de suspender o processo de transposição e iniciar um amplo diálogo com a sociedade civil brasileira, na busca de alternativas para o desenvolvimento sustentável para todo o semi-árido, o que não foi cumprido.

O Rio São Francisco, que nasce em Minas Gerais, corta o estado da Bahia, passa por Pernambuco e divide a fronteira entre Sergipe e Alagoas, tem 2.800 km de extensão, mas suas reservas estão diminuindo e nesse momento se encontra com menos de 14% da sua capacidade. O jejum de Dom Luiz Cappio busca chamar a atenção para o estado de mingua em que se encontra o rio.
"Acredito que as forças interessadas no projeto usarão de todos os meios paradesmoralizar nossa luta e confundir a opinião pública. Mas quando Jesus se dispôs a doar a vida, não teve medo da cruz. Aceitou ser crucificado, pois este seria o preço a ser pago", disse, na carta, Dom Luiz.

Dessa vez, o bispo retoma o jejum e a oração e deixa claro que só irá suspendê-lo com a retirada do exército e o arquivamento projeto: "Não existe outra alternativa". No dia 22 de fevereiro deste ano, Dom Luiz Cappio protocolou no Palácio do Planalto um documento no qual solicitava a reabertura e continuidade do diálogo - que foi somente iniciado -, e que esse fosse verdadeiro, transparente e participativo.

A resposta do governo federal foi o início das obras de transposição pelo exército brasileiro; razão pela qual, o bispo acusa o presidente da República de ter enganado "a mim e toda a sociedade brasileira". Segundo dom Luiz, já existem propostas concretas dos movimentos sociais para garantir o abastecimento de água para toda a população do semi-árido: as Ações previstas no Atlas do Nordeste apresentada pela Agência Nacional de Águas (ANA) e as ações desenvolvidas pela Articulação do SemiÁrido (ASA).

A carta, na qual Dom Luiz Cappio comunica ao presidente Lula sua decisão de retomar seu jejum em defesa do São Francisco, foi protocolada, na mesma hora em que esse retomava a greve de fome, no Palácio do Planalto, em Brasília, por de Dom Tomás Balduíno, conselheiro permanente da CPT.

Há dois anos

Entre 26 de setembro e 6 de outubro de 2005, Dom Luiz Cappio passou 11 dias em jejum, em Cabrobó (PE), para protestar contra o Projeto de Transposição do Rio são Francisco. Após pressão popular, o presidente Lula enviou o então ministro Jaques Wagner para negociar o fim do jejum. A "greve de fome" foi encerrada mediante a assinatura de um acordo, no qual governo e sociedade deveriam discutir o projeto de transposição e elaborar alternativas a ele.