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sábado, 4 de dezembro de 2010

VAMOS MANTER VIVA A ESCOLA NACIONAL FLORESTAN FERNANDES


PARTICIPE DA LUTA EM DEFESA DA ENFF

Em dezembro de 2009, um grupo de intelectuais, professores, militantes e colaboradores resolveu criar a “Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes”, com os seguintes objetivos:

  • divulgar as atividades da escola, por todos os meios possíveis;
  • iniciar uma campanha nacional pela adesão de novos sócios;
  • promover atividades e campanhas de solidariedade para angariar recursos, incluindo doações de livros, revistas, publicações e material audiovisual para a Biblioteca da ENFF;
  • apoiar e incentivar o desenvolvimento de projetos de educação e escolarização de crianças, jovens e adultos do campo, da cidade, das comunidades indígenas e quilombolas, bem como projetos contra as discriminações de raça, cor, gênero, sexo e religião;
  • desenvolver parcerias específicas com instituições e entidades que atuem na área da formação e educação;
  • viabilizar projetos que estimulem estudos acerca da tradição do pensamento crítico;
  • estimular intercâmbio de atividades de formação do Brasil com a América Latina e com outros continentes.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um pitaco sobre as eleições


Por elaine tavares – jornalista


As eleições no Brasil se revestiram de um manto moral. Quase ninguém discutiu os projetos de nação que apresentavam as candidaturas. O que importava mais era atuar na destruição da pessoa, no que ela tinha de “sujo e condenável”. Assim, a história de Dilma Roussef, uma mulher valente que entregou sua juventude para lutar contra a ditadura sanguinária que se instalou no país em 1964, no projeto de dominação perpetrado pelos Estados Unidos para evitar o “comunismo”, acabou se transformando em inomináveis absurdos. Pelas redes sociais, pelos correios eletrônicos, e na mídia comercial circularam informações das mais esdrúxulas. Que Dilma era assassina, terrorista, e pasmem, que havia dito que nem Jesus Cristo tirava a vitória dela. Cabia atacar a candidata do Lula, pois era a mais forte e se configurava a favorita. O fato de ela ter sido uma lutadora contra a ditadura, ter sido presa, torturada, ter se constituído uma profissional competente num mundo masculino, ter sido ministra numa pasta nunca antes ocupada por uma mulher, e tudo mais, não foi saudado. Nem pelas militantes do “gênero”.

Mesmos para aqueles que, como eu, sempre fizeram a crítica sistemática ao governo Lula, pelas coisas que deixou de fazer e pelas que fez dentro do recorte neoliberal, ler os correios que chegavam aos borbotões causava engulhos. Porque a crítica ao governo Lula precisa ser feita desde a esquerda, como forma de apontar os erros e de alavancar mudanças. Jamais poderíamos compactuar com as atrocidades ditas pela direita raivosa, pela igreja conservadora e pelas marionetes. Quando o argumento crítico é político, vamos discutir, mas atuar na lógica dos ataques pessoais, e além de tudo mentirosos, é voltar ao triste episódio dos anos 60, quando os católicos foram às ruas na Marcha da Família dizendo se defender do tremendo “mal” do comunismo, que comia criancinhas e roubava a propriedade privada. Os tempos atuais não poderiam conter esse viés reacionário e pouco inteligente. Hoje temos muito mais acesso a informações para que se possa cair neste velho conto. Mas, ainda assim, patrocinado pelos Estados Unidos, o inimigo que assoma - e ao qual se acusam todos os lutadores - é o de “terrorista”. Bastou gritar contra o preço do cafezinho e a pessoa já pode ser apontada como um.

A própria Marina Silva, que ao longo da campanha não deixou explícito que projeto de país defendia, embora durante sua trajetória como ministra e depois como candidata tenha realizado alianças claríssimas com o chamado “ecocapitalismo”, foi atacada no pessoal. A direita não a acusava de ter se aliado aos grandes empresários do agronegócio ou do chamado “desenvolvimento sustentável”, muito menos de ter compactuado com a liberação dos transgênicos ou com o roubo do conhecimento ancestral dos indígenas. Não, isso, na visão dos dominantes, foi coisa boa e não poderia ser criticado. A crítica a ela também era pessoal. Ela era a feia, a esfomeada, e outros adjetivos abjetos. Seu projeto de ligação visceral com o capitalismo dito responsável ficou obscurecido e os ambientalistas do capital a seguiram alegremente, como se fosse possível ser “sustentável” no capitalismo. O fraco discurso de salvar as florestas e os animais sem apresentar proposta de transformação para a vida humana na consolidação de uma proposta socialista acabou sem crítica e o resultado foram os milhões de votos.

Plínio de Arruda Sampaio, apesar de sua estatura intelectual, tampouco ficou de fora da mira do moralismo barato que invadiu a campanha eleitoral. O homem era inteligente, simpático, mas “muito velho”, iria morrer logo, então, melhor evitar o voto em alguém assim condenado. Nas campanhas anônimas que encheram caixas de correio e viajaram no boca-a-boca apenas Serra era a opção. Os motivos? Ora, os motivos eram claros: a Dilma era terrorista, a Marina, esfomeada, o Plínio, velho, o Zé Maria, louco, os demais eram ninguém, então só sobrava o paulistano, amigo do FHC, que tanto fez pelo Brasil. Para que melhor argumento? A morte da política.

É certo que o governo de Luis Inácio tem parte da culpa desta despolitização total da população. Mesmo na propaganda da Dilma, os argumentos para se votar na ex-ministra, acabavam sendo morais, de forte apelo emocional. Em um deles a canção chega a dizer que Lula entregava seu povo nas mãos dela, como se a população fosse um saco de batatas sem voz ou desejos. Enfim, o resultado foi o espelho da proposta de campanha que praticamente todos os candidatos empreenderam.

Figuras histriônicas como o Tiririca, Romário, e outros sem qualquer proposta concreta para o país, foram eleitos e causa surpresa a indignação que toma conta da mídia. Como se não fosse também responsabilidade dos formadores de opinião midiáticos esta completa falta de credibilidade que toma conta da população com relação ao Congresso Nacional. Não é de hoje que factóides denunciatórios tomam conta das telinhas da televisão, mostrando os políticos de Brasília como ladrões que levam dinheiro em cueca, num achincalhe pessoal, sem que a crítica se espraie para o terreno da política mesma.

O julgamento dos deputados corruptos é sempre moral. As atrocidades políticas que eles comentem contra o país e sua gente não são tratadas com a mesma “fome”. O que dizem os meios sobre as votações da bancada ruralista em prol do agronegócio? O que dizem sobre a aprovação de obras predadoras como a construção indiscriminada de barragens? E o Código Ambiental? Nada. Só que as pessoas não são idiotas e sabem que as casas legislativas não representam a vontade popular. Votar no Tiririca parece muito mais racional, não é, “peixe”?, como diria o Romário. O achincalhe é o protesto da consciência ingênua, daqueles que sabem que algo está errado no “reino de Brasília”, embora possam não saber bem o quê.

Agora vem o segundo turno. É a disputa plebiscitária. Serra contra Dilma. O eleitor inteligente haverá de buscar as informações reais. Serra é cria de FHC, que ficou no comando do país por oito anos, tal qual Lula, de quem Dilma é cria. O que fez o Fernando Henrique pelo país e pela população nos oito anos que lhe couberam? Qual era seu projeto de país, quem foram seus aliados? E o Lula, o que fez? Que projeto tornou real ao longo do seu mandato?

FHC foi a locomotiva do projeto neoliberal. Durante seu governo, os trabalhadores foram arrochados ao máximo, perderam dezenas de direitos, empresas públicas foram privatizadas em verdadeiros crimes de lesa pátria, o patrimônio da nação foi dilapidado. Sua idéia era a de estado mínimo para os pobres e estado total para os ricos. Representava a elite selvagem, capaz de saquear o próprio país sem qualquer abalo moral. Na sua testa poder-se-ia pregar o nome “bussines” (negócio, em inglês), sem medo de errar. Basta pesquisar as mobilizações populares no governo de FHC para se perceber os golpes dados contra o país.

O governo Lula assomou em 2003 com a promessa de mudança. Ao longo dos tempos foi fazendo composições e concessões com a elite produtiva do país. No seu governo os ricos ganharam muito, mas, na linha da social democracia, ele também trabalhou na outra ponta. O Bolsa família levou comida a milhões de famílias, criou vagas nas universidades, criou 14 novas universidades públicas, melhorou o salário mínimo, alavancou a vida da classe média, abriu crédito, praticou uma política externa de aproximação com a América Latina, coisa nunca feita antes. Claro que o governo Lula não significou qualquer avanço no projeto socialista. E ele nunca se propôs a isso. Talvez por isso tenha se tornado palatável a parte da elite local. As críticas feitas a todos estes projetos citados acima sempre foram contundentes. O bolsa família ainda não avançou para um processo de libertação, as universidades novas ainda carecem de qualidade, as vagas universitárias foram para a privadas, e toda uma sorte de outros pontos que poderíamos citar, e já o fizemos em vários outros artigos. Mas, mesmo dentro da lógica do capital, o governo Lula foi melhor que o de FHC.

Assim, se o processo que inicia agora rumo ao segundo turno é um plebiscito sobre propostas de governo, é preciso clareza. Serra representa o atraso, o conservadorismo, a elite insaciável e entreguista, capaz de qualquer coisa para sangrar as riquezas nacionais em benefício próprio e incapaz de conceder um mínimo que seja à população. Dilma representa o chamado “capitalismo humanizado”, que concede à elite, mas busca atender aos de baixo, em políticas assistenciais, programas sociais e políticas públicas. Dilma não é socialismo e muito menos a ameaça comunista, pode chegar a social democracia, garantindo privilégios, mas distribuindo melhor a riqueza. Já o Serra não é social democrata, apesar de isso estar no nome do seu partido. Ele é o vampiro das elites.

Ao povo, que no geral sabe muito bem das ínfimas diferenças que existem entre os candidatos, valeria uma reflexão. Estudar as ações de cada grupo em vez de dar voz a argumentações morais e pessoais que só reduzem a vida política ao ridículo. A eleição, enfim, não é “a mãe de todas as batalhas”, mas, nessa conjuntura, ela pode definir o futuro. A grande política pressupõe análise da realidade e propostas de superação. O socialismo pressupõe mais trabalho entre as gentes. Há que se voltar ao trabalho de base, coisa praticamente esquecida pelos partidos políticos que, na sua maioria, entraram na lógica do institucional. Há que voltar às ruas, aos bairros, às estradas barrentas da vida real, para construir desde baixo o sonho da sociedade justa, igualitária, fraterna e cooperativa.

Enquanto isso não acontece, não se pode retroceder. Sem volta atrás...

domingo, 12 de setembro de 2010

A Quoi ÇA Sert L'amour

A quoi ça sert l'amour ?
On raconte toujours
Des histoires insensées.
A quoi ça sert d'aimer ?

L'amour ne s'explique pas !
C'est une chose comme ça,
Qui vient on ne sait d'où
Et vous prend tout à coup.

Moi, j'ai entendu dire
Que l'amour fait souffrir,
Que l'amour fait pleurer.
A quoi ça sert d'aimer ?

L'amour ça sert à quoi ?
A nous donner d' la joie
Avec des larmes aux yeux...
C'est triste et merveilleux !

Pourtant on dit souvent
Que l'amour est décevant,
Qu'il y en a un sur deux
Qui n'est jamais heureux...

Même quand on l'a perdu,
L'amour qu'on a connu
Vous laisse un goùt de miel.
L'amour c'est éternel !

Tout ça, c'est très joli,
Mais quand tout est fini,
Il ne vous reste rien
Qu'un immense chagrin...

Tout ce qui maintenant
Te semble déchirant,
Demain, sera pour toi
Un souvenir de joie !

En somme, si j'ai compris,
Sans amour dans la vie,
Sans ses joies, ses chagrins,
On a vécu pour rien ?

Mais oui ! Regarde-moi !
A chaque fois j'y crois
Et j'y croirai toujours...
Ça sert à ça, l'amour !
Mais toi, t'es le dernier,
Mais toi, t'es le premier !
Avant toi, 'y avait rien,
Avec toi je suis bien !
C'est toi que je voulais,
C'est toi qu'il me fallait !
Toi qui j'aimerai toujours...
Ça sert à ça, l'amour !...

Edith Piaf

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Grito dos excluidos 2010 - Campina Grande

Organização: Paroquia do Monte Castelo e Dimensão Sócio-Transformadora
Local: Colégio Plinio Lemos
Data: 04/09/2010
Hora: a partir das 0800h

Programação
0800 Animação e acolhida dos participantes. Café da manhã
0900 Abertura e mística inicial
0930 Apresentação da mesa (convidados e cordenadores de oficinas)
1015 Inicio dos trabalhos nas oficinas
1200 Almoço
1300 Apresentações culturais
1430 Apresentação dos trabalhos das oficinas
1600 Caminhada pelas ruas do bairro Monte Castelo
Encerramento: Leitura da Carta do Grito 2010
Mística final

Oficinas:
1. Plebiscito: Resp. Comissão Pastoral da Terra (CPT)
2. Campanha “Voto vendido, povo vencido”: Resp. TRE-PB
3. Políticas Públicas: Resp. Centrac
4. Direitos e Cidadania: Resp. Ajurcc/PJMP
5. Direitos do Idoso: Past. da Pessoa Idosa (Carmem)
6. Meio ambiente: Resp. Cáritas
7. Violência doméstica: Resp. Zé Rodrigues
8. Mística e Relações Humanas: Resp. CEBI

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eu apóio o MST: Dom Pedro Casaldáliga

VÍDEO

Veja vídeo com depoimento de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), sobre a importância da luta do MST.
http://www.mst.org.br/eu-apoio-mst-pedro-casaldaliga

"O MST é uma força alternativa. É uma força autônoma e estritamente popular, no sentido forte da palavra. Inclusive, mais do que um movimento, eu diria que deve ser sempre um estímulo, uma cutucada, para a movimentação.
"O MST poderia desaparecer, porque já deixou uma marca que não se apaga. Eu espero que por muitos anos ainda... A não ser que se acabe com o agronegócio e com o latifúndio. Aí não vamos necessitar do MST. Enquanto o diabo estiver solto aí, necessitamos do MST...
"[A luta vai continuar] enquanto houver latifúndio, produtivo ou improdutivo, no meu entender, porque latifúndio é sempre acumulação, sempre é exclusão, sempre é prepotência”.
Para compartilhar nas sua página, entre no canal do MST no YouTube: http://www.youtube.com/user/videosmst

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mobilização Nacional pela Reforma Agrária

A Reforma Agrária é uma medida necessária para garantir o acesso democrático de todos cidadãos e cidadãs aos bens da natureza, como a terra, água e sementes.

Todos os brasileiros temos direitos e deveres iguais.

Infelizmente, a sociedade brasileira é uma das mais injustas do mundo. Um por cento dos mais ricos controlam 41% de todas riquezas e 46% de todas as terras.

Milhões de hectares seguem improdutivos, guardados para especulação e acumulação.

Nos últimos anos, milhões de hectares foram apropriados por empresas estrangeiras, enquanto 4,5 milhões de famílias de trabalhadores rurais não tem terra.

O Brasil precisa de uma verdadeira reforma agrária, que democratize a propriedade. O censo de 2006 revelou que a concentração da propriedade agora é maior do que em 1920!

O MST é herdeiro das lutas históricas de nosso povo, em especial do movimento camponês - tantas vezes reprimido, massacrado.

Defendemos uma Reforma Agraria Popular, que significa democratizar a propriedade da terra, priorizar a produção de alimentos, produzir sem agrotóxicos (com técnicas da agroecologia).

É fundamental também democratizar a educação no campo, em todos os níveis, desenvolver agroindústrias na forma de cooperativas. Dessa forma, a juventude terá oportunidades para viver, estudar e trabalhar no campo.

Participe você também! Neste mês de agosto, vista o boné do MST e defenda a Reforma Agrária.

É uma luta do campo e da cidade: uma luta de todos!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Contra a Crise Reforma Agrária já!

A Marcha Estadual da Via Campesina "Contra a Crise Reforma Agrária já!" iniciou no dia 14 de agosto saindo de Campina Grande com uma média de 300 marchantes, passamos por 18 cidades do estado da Paraíba, protestando e dialogando com a população em debates, seminários, assembléias populares, rodada de diálogos em rádios comunitárias, escolas, universidades e sindicatos sobre a crise e suas conseqüências para os/as trabalhadores/as do campo e da cidade.

Compreendemos que é nesses momentos de profunda crise do sistema capitalista que devemos ousar e colocar o nosso sacrifício como instrumento de luta para a defesa da nação e do povo.

Marchamos, ouvindo e debatendo com o Povo sobre problemas que são comuns aos trabalhadores do campo e da cidade. Afirmamos durante todos esses momentos que não somos nós os responsáveis pela crise do sistema capitalista e, por isso, não somos nós que devemos pagar por ela. Também não aceitamos as saídas apresentadas pelos latifundiários, grandes empresários, governantes e pela grande mídia. Defendemos a necessidade de construção do "Projeto Popular para o Brasil". Nele propormos formas de organização e alternativas para enfrentarmos as elites que controlam este país.

Como conseqüências desta crise o governo anuncia o corte de 62% no orçamento do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), recurso destinado a desapropriação e assentamento de mais de 3.500 famílias acampadas em toda a Paraíba, que só encontram esperança de se concretizar com muita luta dos trabalhadores/as do campo e com o apoio das trabalhadoras e dos trabalhadores da cidade. Segundo dados oficiais, na Paraíba, mais de 50% das famílias vivem exclusivamente de medidas compensatórias do governo como é o caso do Programa Bolsa Família ou da distribuição de cestas básicas.

Da mesma forma denunciamos a construção da Barragem de Acauã que atingiu mais de 4,5 mil pessoas e sofrem o descaso do Estado. Elas foram transferidas para conjuntos habitacionais isolados, situados em áreas desérticas, e desprovidos das mais elementares condições de vida, onde faltam serviços públicos e, principalmente, meios para os/as moradores/as retornarem suas atividades produtivas e de subsistência.

Participam desta marcha movimentos sociais do campo e da cidade, como: MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, MAB - Movimento dos Atingidos por Barragem, Via Campesina, MMC - Movimento das Mulheres Camponesas, Assembléia Popular, MTD - Movimentos dos Trabalhadores Desempregados e MPA - Movimento dos Pequenos Produtores.

Chegamos dia 1º de Setembro e estamos acampados no Parque Solon de Lucena, na Lagoa onde partiremos amanhã para participar do Grito dos/as Excluídos/as que tem como tema deste ano: "Vida em Primeiro Lugar - A Força da Transformação está na Organização Popular".

Líder do MST diz que melhor solução para o Senado é a extinção

Líder do MST diz que melhor solução para o Senado é a extinção

Guilherme Balza / Do UOL Notícias
Em São Paulo

João Pedro Stédile

Leonardo Wen/Folha Imagem - 14.jun.2007
Reforma agrária regrediu no governo Lula


  • Ao longo dessa semana, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realizou marchas, atos, ocupações - de propriedades rurais e de prédios públicos - em diversos Estados para cobrar do governo federal medidas concretas para a realização da reforma agrária.

    As principais reivindicações do sem-terra são o assentamento imediato de 90 mil famílias acampadas há mais de quatro anos pelo país; a atualização dos índices de produtividade da terra, que servem de parâmetro para classificar as propriedades rurais improdutivas, inalterados desde 1975; e o descontigenciamento de R$ 800 milhões retidos do orçamento do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) por conta da crise econômica.

    Principal liderança do MST, o gaúcho João Pedro Stédile concedeu entrevista ao UOL Notícias, na qual falou sobre a questão agrária no Brasil, as eleições presidenciais de 2010, o governo Lula, a crise no Senado, além de fazer um balanço dos 25 anos do movimento.



UOL Notícias - Sob o ponto de vista dos sem-terra, a situação agrária no Brasil evoluiu ou continua praticamente igual a de 1996, quando houve o massacre de Eldorado dos Carajás e o movimento ganhou projeção?
João Pedro Stédile - Há aspectos que melhoraram muito, como, por exemplo, a criação do programa Luz Para Todos, que praticamente universalizou o acesso à energia elétrica. Há outros aspectos que pioraram, como as condições de trabalho, as relações trabalhistas, a existência de trabalho escravo. Melhorou o nível de violência dos conflitos. Antigamente havia muito mais assassinatos, os fazendeiros eram mais prepotentes, queriam resolver tudo no tiro. Isso não significa que nós deixamos de ser reprimidos, mas agora a repressão é judiciária. É mais uma perseguição política ao MST e às suas lideranças. Do ponto de vista da organização da produção, eu acho que a situação piorou. Ainda somos reféns de 15 anos de neoliberalismo, que conseguiu impor ao Brasil esse modelo do agronegócio. Isso é um desastre para os nossos recursos naturais, para o meio ambiente, para a produção de alimentos. Recentemente a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou uma pesquisa não recomendando o consumo de 20 produtos e não aconteceu nada. Se fossemos uma sociedade mais organizada, o consumo desses produtos seria proibido. Mas é preciso criar condições para produzir alimentos saudáveis. E isso só em um outro modelo agrícola, baseado na agroecologia, na pluricultura. Hoje, a pequena agricultura perdeu espaço e as empresas transnacionais tomaram conta. Em cada segmento da produção agrícola, a produção se concentrou de tal maneira que nós temos quatro ou cinco empresas transnacionais controlando tudo. Nós regredimos do ponto de vista da soberania alimentar e do controle da nossa agricultura.

UOL Notícias - Em 25 anos, no que o MST evoluiu, no que regrediu, o que precisa mudar, quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam e quais os desafios?
Stédile - Evoluímos em muitos aspectos internos. Em convênio com o Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), já formamos mais de 3.000 filhos de camponeses em cursos superiores. Temos atualmente mais de 3.500 frequentando universidades e mais de 300 companheiros fazendo pós-graduação, mestrado e doutorado. Isso é um avanço para a nossa organização, porque nos demos conta de que o conhecimento é fundamental para você construir uma sociedade democrática e, sobretudo, para resolver os problemas concretos. O MST investiu muito na educação da sua militância e da sua base. O que é uma novidade. Porque não havia essa tradição nos movimentos camponeses nem no Brasil, nem no mundo. Nós avançamos muito e digo isso com uma autocrítica porque há seis, dez anos atrás nós não dávamos bola para a agroecologia, achávamos que era coisa de ambientalista. Quando começamos perceber a gravidade da produção agrícola, as consequências dos agrotóxicos, do monocultivo, é que fizemos uma autocrítica e adotamos a agroecologia. Avançamos também no sentido de valorizar a cultura camponesa. O MST hoje tem vários pontos de cultura, estimulamos o teatro, fizemos convênios com o Teatro do Oprimido, do [Augusto] Boal, com o Ministério da Cultura, passamos filmes no interior...

  • Marcello Casal Jr./Abr

Em Brasília, integrantes do MST seguem pela Esplanada dos Ministérios


UOL Notícias - E os desafios?
Stédile - Os desafios ainda são enormes. Hoje não se trata mais de descobrir qual é o latifundiário atrasado e ocupar a fazenda dele. O latifúndio se modernizou porque se vinculou às empresas multinacionais e adotou o agronegócio. Vamos pegar o exemplo do banco Opportunity. O Daniel Dantas comprou 600 mil hectares no Pará, em 52 fazendas, onde ele cria mais de 450 mil bois. Para que um banco precisa de terra? Quando nós começamos a ocupar essas fazendas, nós enfrentamos um banco que, segundo relatório da Polícia Federal, é testa de ferro do Citigroup. Então, quando se ocupa uma fazenda do Dantas, não é só de um fazendeiro atrasado do Pará. Se enfrenta o capital financeiro instalado na avenida Paulista (em São Paulo). E eles têm tentáculos nos meios de comunicação, como a Isto É, [que] é do Dantas, do banco Opportunity. Então, a Isto É, na outra semana após a ocupação, na capa, nos chama de bandidos, terroristas etc (em 2007, foi noticiado que o grupo de Dantas iria adquirir 51% do capital da Editora Três, proprietária da Isto É, mas a negociação não se concretizou por desistência da editora; o UOL Notícias procurou a empresa que, por meio da sua secretaria jurídica, afirmou que o grupo de Dantas não possui qualquer participação no seu capital e questionou o porquê de Stédile ter se referido ao banqueiro). Em São Paulo, antigamente nós ocupávamos uma área de pecuária extensiva, no Pontal [do Paranapanema]. Hoje, as melhores áreas produtivas se transformaram em monocultivo da cana. E de quem é a maior fazenda de cana aqui em São Paulo com 100 mil hectares? Da usina comprada pela Cargill. Então, quanto nós vamos lá nos manifestar contra o monocultivo da cana, estamos enfrentando a Cargill, que é o maior grupo mundial de grãos. Essa é a mudança na correlação de forças que prejudicou muito os camponeses. E daí vem a necessidade de fazer uma reforma agrária não mais só ocupando a terra, mas com a mudança de modelo econômico.

UOL Notícias - Eu gostaria que o senhor comentasse a política agrária dos dois últimos governos do Estado São Paulo, de José Serra e Geraldo Alckmin (ambos do PSDB)?
Stédile - A minha atuação é mais em nível nacional. Embora eu more aqui em São Paulo, não acompanho as questões mais relativas aos Estado. São outros companheiros que acompanham isso. Pelo o que sei, os dois governos foram apenas apoio ao processo de expansão do agronegócio, sobretudo da expansão monocultivo da cana, que é lamentável. Nós esperamos que algum dia eles se deem conta que temos que urgentemente mudar o modelo agrícola, até porque o modelo do monocultivo da cana traz conseqüências graves no equilíbrio climático e afeta as populações das cidades. Na região de Ribeirão Preto, que hoje já virou monopólio da cana, tem pesquisas da USP (Universidade de São Paulo) que [mostram que] nos últimos 20 anos a temperatura aumentou 2ºC na média. A prefeitura de Ribeirão já tem problemas porque ela capta água do lençol freático do aquífero Guarani para abastecer a população. A cada ano eles têm que aprofundar ainda mais a captação porque o monocultivo da cana suga muita água. Então falta abastecimento de água para a população por causa do modelo agrícola. Isso é de responsabilidade do governo estadual. Então, faço até como um apelo para que o governo de SP fique mais alerta sobre as consequências que o atual modelo agrícola traz para a população em geral.

  • Jorge Araújo/Folha Imagem -26.abr.2009

Enterro dos 19 sem-terra mortos no massacre de Eldorado dos Carajás (PA) em 1996


UOL Notícias - O que o senhor pensa da crise do Senado?
Stédile - A crise do Senado é o espelho mais verdadeiro possível da forma como a classe dominante brasileira trata os bens públicos e a democracia. Eles são o espelho disso. Eles tratam as coisas públicas como se fossem propriedade privada e tratam a opinião pública com escárnio. Por isso, eu acho que a melhor solução para o Senado é aquela que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) já está defendendo, que na próxima Constituinte nós eliminemos o Senado da sociedade brasileira. Nossa sociedade não precisa do Senado. Basta uma Câmara dos Deputados. E ainda mais representativa, com, em vez de 500 deputados, mil. Na Câmara também tem que haver uma proporcionalidade [de deputados] mais adequada. O voto daquele que mora no Acre ou no Amazonas vale 20 vezes mais do que o voto de um cara que vota em São Paulo. Isso é uma distorção na democracia, na qual cada pessoa representa um voto. E essas questões que envolvem a federação dos Estados poderiam ser resolvidas em um conselho da República, que não precisasse de tanto dinheiro. Quem pode imaginar que o Senado gasta hoje R$ 2 bilhões por ano? Isso não tem necessidade nenhuma. Porém, mais do que isso, é preciso fortalecer outros mecanismos da democracia brasileira, que certamente não passam pelo Senado.

UOL Notícias - É possível pensar em um projeto de esquerda para o Brasil, ou vislumbrar uma sociedade mais justa e igualitária, por meio das instituições democráticas que temos hoje?
Stédile - Claro. Há um debate na sociedade que se aglutina em quatro campos: alguns setores das elites, das classes dominantes, defendem a subordinação total do Brasil ao capital internacional. Aí estão os 5% mais ricos, as empresas transnacionais, os bancos, que são os que defendem políticas neoliberais e que, nos partidos, tem sua expressão, sobretudo, entre os tucanos e entre o DEM; temos um setor nacionalista, que está presente em todos os partidos, que defende um projeto "neo-keynesiano" para o Brasil, com algumas políticas de distribuição de renda, redução da taxa de juros e fortalecimento do mercado interno; há outros setores da esquerda brasileira, mais radicais, como correntes do PSOL e do PSTU, que defendem o "socialismo já". Eles acreditam que o capitalismo já chegou a sua maioridade aqui no Brasil e que não há outra saída sem o socialismo. Só que a palavra socialismo é muito forte. Significa socialização da propriedade dos meios de produção. Não é apenas você ser socialista no sentido humanista, ser socialista por querer uma sociedade mais justa; nós, dos movimentos sociais, defendemos um quarto projeto, que chamamos de projeto popular, que é, nos marcos da nossa sociedade, fortalecermos de fato o Estado para que ele adote uma política econômica que leve ao desenvolvimento do país em benefício do povo. Quais são os problemas fundamentais do povo no Brasil? Desemprego alto, falta de moradia, necessidade de reforma agrária e ausência de educação. Então, [nós defendemos] um programa para a sociedade que coloque o dinheiro público como prioridade para resolver os problemas do povo. Mas não basta colocar no papel "esse é o nosso projeto". É preciso construir, acumular forças populares que atuem para a implementação desse projeto.

  • Marcia Zoet/Folha Imagem - 09.fev.1987

Em São Paulo, Guarda Civil Metropolitana direciona jatos de água em militantes do MST


UOL Notícias - Esse projeto popular é um caminho para uma sociedade socialista?
Stédile - Ele é fundamental. Ele seria uma espécie de transição para nós construirmos uma sociedade mais igualitária. Primeiro vamos resolver os problemas fundamentais da população. Que é comida, trabalho, moradia e educação. Depois, podemos avançar para a socialização de outros meios de produção da nossa sociedade.

UOL Notícias - Qual é o modelo de reforma agrária defendido hoje pelo MST?
Stédile - Na história das reformas agrárias, há dois tipos clássicos. Primeiro, a reforma agrária capitalista, que todos os países do hemisfério norte fizeram entre a metade do século 19 e ao longo do século 20 até a Segunda Guerra Mundial. E eles fizeram as reformas agrárias clássicas capitalistas distribuindo a propriedade da terra para fortalecer o mercado interno e desenvolver a indústria nacional. Depois houve uma outra reforma agrária clássica, que aconteceu no bojo de revoluções socialistas, ou de revoluções populares, como no Vietnã, China, Rússia, Nicarágua e Cuba. Qual é a realidade hoje no Brasil? Nós tentamos desde o início do movimento defender uma reforma agrária clássica capitalista, mas não há forças acumuladas burguesas que queiram essa reforma. Por isso que o governo não faz reforma agrária. Quem fez as reformas agrárias capitalistas? Foram as burguesias industriais, que queriam desenvolver o mercado interno e a indústria. Também seria uma ilusão achar que a solução seria uma reforma agrária socialista, porque essa reforma só acontece depois de uma revolução. Ela é casada com um processo revolucionário, que não é o que temos hoje no Brasil. O que nós propomos é uma reforma agrária que chamamos de popular, que se diferencia das duas. Nessa reforma não basta distribuir terra, como na reforma capitalista. É necessário também desenvolver agroindústrias na forma cooperativa, criar pequenas agroindústrias nos assentamentos. Assim, o agricultor sai mais rápido da pobreza, porque daí ele não vai só produzir matéria prima, mas também se apropriar do valor agregado dos produtos e gerar emprego no meio rural.

Reforma agrária regrediu no governo Lula, diz Stédile

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

João Pedro Stédile

Joan Esteve/EFE - 26.fev.2008
Melhor solução para o Senado é a extinção



UOL Notícias - Na quarta-feira (12), houve uma reunião entre representantes do sem-terra e dos ministérios, na qual o governo afirmou desconhecer a pauta de reivindicações do MST, muitas delas já apresentadas ao presidente Lula em 2005. O senhor acha que o governo Lula é realmente melhor para os sem-terra ou é apenas aparência?
João Pedro Stédile - Na audiência havia cinco ministérios. Evidentemente que nem o Palácio do Planalto, e muito menos o ministro da Reforma Agrária (Guilherme Cassel, ministro do Desenvolvimento Agrário), disseram que desconheciam a pauta. Quem disse que desconhecia foi o ministério da Fazenda e do Planejamento, porque não é a área deles. Agora, o ponto mais negativo da conversa não foi isso. O ponto mais negativo é que o Ministério da Fazenda abriu o jogo, disse que a crise é grave, que a arrecadação diminuiu entre 30 e 50% nesse primeiro semestre e que o governo tem dificuldades de recompor o orçamento do Incra, porque eles cortaram pela metade o orçamento de R$ 958 milhões destinado a obtenção de terras. Então, nossa reivindicação principal agora é que o governo, como um todo, determine que o Ministério da Fazenda recomponha o orçamento do Incra. Eu ouvi pessoalmente o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) se comprometendo que não haveria cortes nos orçamentos relativos à pequena agricultura. Portanto, temos o compromisso da palavra dele e do presidente Lula de que não haveria cortes sociais. Por isso insistimos que o presidente enquadre o Ministério da Fazenda e mande repor o orçamento do Incra, até porque está na lei orçamentária aprovada no Congresso. Não estamos pedindo nada a mais do que cumprir a lei e não acreditamos que não tenha dinheiro no Ministério da Fazenda. Porque para outros setores da sociedade, como indústria automobilística, desoneraram o IPI - o que representou um custo de cerca de 20 bilhões -, desoneraram o depósito à vista dos bancos, o que representou R$ 80 bilhões dos cofres dos bancos. Portanto nós não estamos convencidos de que [o governo] não tenha dinheiro. O que não tem é dinheiro para a reforma agrária e para a pequena agricultura.

UOL Notícias - Qual o balanço que o senhor faz dos dois mandatos de Lula com relação a questões sociais e agrárias?
Stédile - O governo Lula, como ele mesmo gosta de comparar, é muito parecido com o do Getúlio Vargas. É um governo de composição de classes. Ao longo desses sete anos, ele adotou uma política que agradou gregos e troianos. Ou seja, ele, com sua política econômica, beneficiou os banqueiros, os grandes grupos transnacionais, e, ao mesmo tempo, fez políticas de assistência social, como o Bolsa Família, Prouni, [promoveu] a valorização do salário mínimo, aumentou os recursos para o Pronaf, o que atendeu a uma parcela mais pobre da sociedade brasileira. Agora, em relação à reforma agrária e à pequena agricultura, o governo Lula está em dívida. Porque na reforma agrária não tem como você compactuar latifundiário com sem-terra. Um dos dois tem que perder. E, infelizmente, o número de desapropriações de fazendas, em especial na região Nordeste e nas regiões Sudeste e Sul, que são as regiões mais agrícolas, as desapropriações foram menores do que no governo Fernando Henrique Cardoso. O atual governo repetiu uma tática que o Jugmann (Raul Jungmann, ministro extraordinário da Reforma Agrária no governo Fernando Henrique) fazia: para manter as estatísticas, fizeram projetos de colonização na Amazônia. Pegaram terras públicas e distribuíram, e com isso mantiveram as estatísticas. Mas, na verdade, o que vem acontecendo no Brasil nos últimos 10 anos é que há um violento processo de concentração da propriedade da terra. Ou seja, é um movimento contra a reforma agrária. Em vez de nós estarmos democratizando a propriedade da terra, dando acesso a mais gente e criando mais oportunidade de trabalho para que as pessoas não venham para a cidade, nesses últimos anos nós sofremos um processo de concentração, justamente por essa ineficácia do governo Lula em desapropriar fazendas nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.

  • Roberto Setton/UOL - 13.ago.2009

Policiais param marcha do MST nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo


UOL Notícias - O MST é criticado por setores da esquerda e da opinião pública por suposto abrandamento das ações e da postura durante o governo Lula. O que o senhor pensa disso?
Stédile - Isso é uma manipulação ideológica. Tanto pela direita, quanto pela esquerda. Porque se você pegar as estatísticas, nós nunca fizemos tantas ocupações quanto agora, então setores da esquerda, tipo Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) e o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), dizem que nós ficamos chapa branca e o editoral do Estadão diz que por causa do governo Lula nós viramos sem-lei. Então, claro, cada um interpreta da sua maneira, mas nós estamos com a consciência tranquila, o nosso papel é ser um movimento que faz luta social, e a luta social nós aumentamos, e ao mesmo tempo nós temos autonomia do governo. Desafio alguém dizer que o MST segue as orientações do PT, PCdoB, ou de qualquer outro partido, do PSOL, desafio alguém a provar que o MST é refém das medidas do governo. Tanto que nessa semana acabamos de ocupar o Ministério da Fazenda e neste momento estamos com manifestações em 12 Estados, vários Incras ocupados, porque nós queremos que se resolvam os problemas concretos do povo.

Se o nosso objetivo fosse ter apenas indices de popularidade para a opinião pública nós tínhamos fundado uma banda de rock.

UOL Notícias - Recentemente o senhor afirmou que a Dilma Rousseff é ignorante em questões rurais. Por quê?
Stédile - A formação técnica dela é na área de energia. Ela é uma economista tipicamente urbana. Eu acho que ela está preparada para essas questões mais amplas. E quando eu me referi a isso, foi num debate no Incra justamente no dia em que o governo cortou 48% do orçamento para a reforma agrária. E eu disse, como uma reação natural, de que um governo, em uma crise dessa, que toma uma decisão que corta 48% da verba para a reforma agrária, é um governo ignorante, que não sabe que a reforma agrária poderia ser um dos principais instrumentos, e mais baratos, para conter a crise no meio rural. Essa crise que afetou a produção de soja, algodão e milho, diminuiu o preço das commodities, diminuiu a taxa de lucro dos fazendeiros, e quem pagou a conta foram os trabalhadores assalariados rurais. Cerca de 300 mil trabalhadores perderam o trabalho. Para onde eles foram? Para a cidade. Alguns já moravam na periferia das cidades. E foram fazer bico. Ora, se o governo quer arrefecer as consequências da crise no meio rural, ele poderia imediatamente acelerar, aumentar até o orçamento da reforma agrária para dar terra a esses 300 mil trabalhadores que ficaram sem emprego no campo.

  • Alan Marques/Folha Imagem - 19.abr.2009

Militantes do MST protestam no Pará contra violência dos seguranças de Daniel Dantas


UOL Notícias - Nessa mesma época, segundo notícias veiculadas na imprensa, a Casa Civil e o Planalto teriam buscado se aproximar dos movimentos sociais por conta de uma possível candidatura da Dilma. Houve essa aproximação?
Stédile - Nós percebemos que o Partido dos Trabalhadores (PT), do qual ela é filiada, multiplicou reuniões de consulta aos movimentos, como partido, não como candidatura. Assim como outros [partidos]. Nós, MST, como somos um movimento social que zela pela autonomia em relação ao governo, ao Estado, aos partidos e à religião, estamos muito à vontade, porque nós conversamos com todos os partidos. Conversamos com PDT - eu mesmo sou muito amigo do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) -, com o PCB, PCdoB, e PMDB. Nós temos ótimas relações com o governador [Roberto] Requião no Paraná. Conversar e ter diálogo faz parte da democracia. Não significa se subordinar. E essa é a política do MST e que os movimentos sociais em geral vão adotar. De diálogo, conversações, sem subordinação.

UOL Notícias - Entre Dilma e Lula, quem busca mais diálogo com os movimentos e qual dos dois é mais alinhado ao agronegócio?
Stédile - Isso são questões mais pessoais. Evidentemente que o presidente Lula tem uma história mais vinculada. Ele é fruto do reascenso do movimento de massas, que houve de 1978 até 1990. E por isso que se construiu todo esse carisma em torno da sua pessoa, o que a Dilma não tem. É claro que ele tem mais projeção entre movimentos sociais e entre os pobres do campo. Agora, a relação do governo com o agronegócio não depende de carisma pessoal, de comportamento pessoal, nem de conhecimento. A relação com o agronegócio vai depender de como vai evoluir a luta de classes no Brasil. Eu acredito que nos próximos anos nós precisamos e teremos um grande debate na sociedade brasileira em torno de um novo modelo de produção de alimentos e de agricultura. Porque o modelo do agronegócio está falido. É um modelo que só interessa a empresas transnacionais e a exportações. E, cobra como fatura do povo brasileiro, uma degradação ambiental. Não é à toa que o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Na safra passada, jogamos 713 milhões de toneladas de veneno sobre o nosso solo, a nossa água e os nossos alimentos. O agronegócio é o modelo de produção que expulsa mão-de-obra porque adota a mecanização intensiva. Então não há lugar para camponeses e para os pobres nesse modelo. O resultado de tudo isso é que pode até aumentar as exportações, mas pro mercado interno aumenta cada vez mais a produção de alimentos contaminados. Então, eu acredito que a população da cidade, que é quem está comendo esses alimentos contaminados, quem está sentindo um aumento do câncer, e está sentindo na pele a conseqüência desse processo, assim como os ambientalistas, serão os aliados do MST para nós mudarmos o modelo agrícola e fortalecemos outro modelo baseado na reforma agrária e na agricultura familiar.

  • João Zinclar/MST - 06.ago.2009

(MoviCerca de 1.200 integrantes do MST marcham 100 km de Campinas (SP) a São Paulo


UOL Notícias - Já que o senhor falou dos ambientalistas, a senadora Marina Silva pode se desfiliar do PT e concorrer à presidência pelo PV. O que o senhor pensa disso?
Stédile - Eu vou te dar uma opinião pessoal porque o fato é muito recente e nós não conversamos nos coletivos do MST. Pessoalmente eu vejo com muito bons olhos, com muita simpatia. Porque nós vivemos em uma sociedade democrática e quanto mais candidatos a presidente houver, melhor. Porque isso gera debate na sociedade. E um dos problemas que nós temos daqui até 2010 é a necessidade de debater projetos para sociedade. Não basta apenas debater candidaturas e partidos. E o pior dos cenários que nós podemos ter para a democracia brasileira e para o projeto de sociedade é se nós chegarmos a uma conjuntura eleitoral de que a decisão se defina apenas entre Dilma e Serra no primeiro turno. Por isso, pessoalmente, mesmo sendo filiado ao PT, vejo com muita simpatia que haja outras candidaturas porque isso vai oxigenar a política brasileira e obrigar a se fazer um debate não de nomes, mas sim de projetos. Então, uma candidatura da Marina vai trazer para o debate um projeto que ela defende. Com o enfoque muito maior à sustentabilidade do meio ambiente, à produção de alimentos sadios, à preservação da Amazônia, que é a região dela, e isso que é importante, é debater. O número de votos é o de menos.

UOL Notícias - Temos a chance de ter três mulheres disputando a eleição com possibilidade de alcançar grande eleitorado: Heloísa Helena pelo PSOL, Dilma pelo PT, e possivelmente a Marina Silva pelo PV. Considerando a história de cada uma, o senhor estaria mais inclinado a apoiar qual em uma eleição?
Stédile - Eu acho que o problema não é em quem votar. Eu acho que nós, como movimento social e com militantes, devemos estimular sempre o debate político. O debate de projetos. Então vamos esperar. Não é só julgar as pessoas e as suas biografias. Se nós ficássemos julgando a biografia dos parlamentares, 70% deles não deveria estar no Congresso. No entanto o povo vota neles. Então, eu prefiro defender a ideia de que tenham mais candidatas e candidatos e que nós aproveitemos bem essa pluralidade de ideias para daqui até outubro de 2010 nós dedicarmos o máximo de tempo para debater projetos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Nota da Assembleia Popular na Paraíba em Solidariedade ao MST-PB

Nós, participantes da Plenária Estadual da Assembleia Popular na Paraíba, reunidos/as de 1° a 3 de maio de 2009, em João Pessoa-PB , nos solidarizamos com os/as trabalhadores/as rurais Sem Terra do MST que, após a ocupação da Fazenda Cabeça do Boi, localizada no município de Pocinhos-PB, na última sexta-feira – 1° de Maio – Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras – foram surpreendidos/as por uma ação violenta da Polícia Militar, na qual foram presos e espancados sete trabalhadores. Após algumas horas de tortura, cinco trabalhadores foram liberados, mas dois continuam detidos e feridos na Delegacia do município de Pocinhos.

Repudiamos esta ação violenta e truculenta, que continua o processo de criminalização da pobreza, contra os/as trabalhadores/as, contra as lutas e os movimentos sociais e populares.

Reforçamos nossa vontade e empenho na luta pela justa distribuição da terra, criando oportunidades de trabalho, de renda e de espaço de vida para milhares de pessoas, retirando os privilégios e o poder do latifúndio e do agronegócio.

Reafirmamos que a construção do Projeto Popular para o Brasil que queremos, no Campo e na Cidade, só acontecerá através da organização e da luta unificada do Povo Brasileiro.

Reforma Agrária: Por Justiça Social e Soberania Popular!

Assembleia Popular: Mutirão por um Novo Brasil

sábado, 2 de agosto de 2008

Famílias Sem Terra são despejadas no Paraná

No início da manhã de ontem (01/08/08), por volta das 7 horas da manhã, cerca 200 de homens da Polícia Militar iniciaram o despejo de 40 famílias do acampamento Teixeirinha, antiga Chácara São Francisco II, em Ponta Grossa.

Houve uma tentativa de negociação por parte das famílias, que solicitaram tempo para fazer a colheita das lavouras. No entanto, a Polícia Militar não aceitou e prendeu o Sem Terra Célio Rodrigues, que pariticipava das negociações, alegando perturbação da ordem pública. Célio foi liberado após o termino do despejo.

Segundo depoimento dos Sem Terra, algumas famílias foram intimidadas pelos polícias, que não permitiram a desmontagem dos barracos. “A polícia disse que depois iria queimar nossos barracos”. Está é a terceira ação de despejo que as famílias sofrem no local, devido as reintegrações de posses concedidas ao ex-Tenente Coronel da Polícia Militar Valdir Copetti Neves, que grilou uma área pública da Embrapa e pleiteia uma ação de usucapião da área, na justiça.

Neves foi preso no dia 05 de abril de 2005, pela Polícia Federal, acusado de contrabando uma quadrilha de trágico internacional de armas, e uma milícia armada que realizava despejos forçados em acampamentos do MST, sem ordem judicial.

A Chácara São Francisco II foi ocupada pela primeira vez em junho de 2004. O primeiro despejo ocorreu no dia 05 de março de 2005, por uma milícia armada, comanda por Neves. Em Seguida as famílias reocuparam a área e em 5 de maio de 2006 foram despejadas novamente.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Vídeo sobre MST no programa da Xuxa!

Não dá nem pra acreditar!!! No programa de Xuxa? uma reportagem sobre o MST para crianças?!?! e ainda que é uma coisa que presta?!?! Não!!! inacreditável!!! rsrss...

Mas falando sério pessoal, vocês podem visualizar o vídeo clicando no link abaixo:

http://tvxuxa.globo.com/Tvxuxa/pordentrodoassunto/0,,AA1646878-8495,00.html

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Estudantes e movimentos sociais realizam ato pela educação no Espírito Santo

O Diretório Central dos Estudantes da Ufes (DCE-Ufes), o MST, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento Negro e a Seção Sindical dos Docentes da Ufes (Adufes-S.Sind.) realizaram ontem, dia 22, um ato na reitoria da universidade em defesa da educação pública, bem como um debate sobre o Projeto de Reestruturação Universitária (Reuni), que pretende expandir as vagas para estudantes de graduação nas universidades federais sem contratação de pessoal e com congelamento dos orçamentos.

Cerca de 150 estudantes e integrantes de movimentos sociais fizeram uma manifestação dentro da reitoria da universidade, e ao final do ato, foram recebidos pelo reitor, para o qual reivindicaram uma audiência pública para discutir o Reuni com a comunidade acadêmica e a sociedade capixaba,além da interrupção imediata da tramitação desse projeto nos Centros de Ensino da Ufes.

A atividade também contou com um debate sobre a situação atual das universidades públicas, do qual participou o professor da UFRJ, Roberto Leher, ex-presidente da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES). Ele aprofundou o debate sobre o Projeto Reuni e destacouque os movimentos sociais são os que mais defendem a universidade com caráter público atualmente.

Para Leomar Honorato, integrante da direção do MPA, essa atividade que está inserida na Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública, é de suma importância para os movimentos sociais do campo. "Precisamos discutir e intervir no modelo de educação superior pública, pois esse é o menos acessível para os camponeses", argumenta. Além disso, diz que essa integração com os estudantes urbanos é fundamental para avançar nessa luta.

Segundo a diretora de movimentos sociais do DCE, Jeane dos Anjos, a Ufes, única universidade pública do estado, tem apenas 3% de estudantes de origem popular em seus cursos. "Várias atividades de mobilização já foram feitas exigindo a ampliação de vagas e melhorias na assistênciaestudantil, como a ocupação da reitoria em junho deste ano, que durou 11 dias". Ela também afirma que as atividades conjuntas com os movimentos sociais devem ser intensificadas em defesa de uma educação pública de qualidade.

Mais de 1,5 mil pessoas marcham em defesa da educação em Pernambuco

Mais de 1,5 mil manifestantes reunidos na jornada nacional em defesa da educação pública marcharam desde a sede da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), em Recife, até o Palácio das Princesas - onde a comissão política do ato entrega um documento com as reivindicações da jornada ao governador Eduardo Campos.

Pela manhã, estudantes ocuparam a Universidade Federal do Vale do São Franscisco (Univasp), em Petrolina, cujos alunos estão sem aulas por falta de salas.
Ainda estão previstas atividades em defesa da educação para os próximos dias em todo o estado.

Em Alagoas, 600 manifestantes ocupam campus da Universidade Federal

Cerca de 600 pessoas ligadas aos movimentos de luta pela terra, sindicatos, CUT e movimentos sociais da educação ocuparam o campus da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Na pauta, a educação pública como enfoque e a tentativa de exigir mudanças estruturais na política e na economia do país que possibilitem a erradicação do analfabetismo e a inclusão social. Além disso, a construção imediata de um sistema educacional com gestão participativa e socialmente referenciado.

Alagoas é o estado com maior índice de analfabetismo para maiores de 15 anos, chega ao percentual de 29,5% quando a média para o nordeste é de 22,4% e a do país 11,2%.Já no que se refere à educação infantil a situação não é diferente: são aproximadamente 11,3% no estado em contraponto do país 3,6% e da região com média de 8%.

A paralisação no campus da universidade foi a forma encontrada pelos movimentos de chamar a atenção da sociedade no momento em que o Hospital Universitário definha no caminho de tornar-se uma Fundação Estatal.

Os movimentos prometem um dia sem funcionamento na UFAL, de agitação e formação política. À tarde, aconteceu um “Aulão” com o tema Vale do Rio Doce, já que no próximo dia 07 estes e outros movimentos encamparão um Plebiscito a esse respeito.

No Ceará, reitoria ocupada

A Jornada de Lutas em Fortaleza começou às 9h com um cortejo pelos corredores da Universidade Estadual do Ceará (UESC). O objetivo foi mobilizar os estudantes para a passeata que culminou com a ocupação do prédio da reitoria.
Cerca de 800 pessoas, entre alunos e lideranças de movimentos sociais, tomaram a Avenida Paranjana, via que dá acesso à universidade. A marcha seguiu rumo à reitoria, onde foi tomada a decisão de ocupar o hall de entrada do prédio.
Na manhã de quinta-feira (23), as entidades participam ainda de um ato na Assembléia Legislativa com os servidores públicos da educação.

Marcha pela educação toma centro de Porto AlegreMais de 40 entidades de educação e do campo e pastorais sociais marcham, nesta quarta (22), pelo centro de Porto Alegre em defesa da educação pública. Cerca de duas mil pessoas foram às ruas de Porto Alegre. Os manifestantes se concentraram em dois locais diferentes, para depois se encontrarem no Palácio Piratini.

Especificamente no Rio Grande do Sul, as organizações criticam o desmonte da escola pública promovido pelo governo de Yeda Crusius, por meio do corte de verbas, não-realização de concurso, falta de transporte escolar e inturmações.

3 mil tomam as ruas da Bahia e ocupam reitoria da UFBA

Nem a chuva dispersou os mais de 3 mil manifestantes que saíram em passeata pelas ruas do centro de Salvador na manhã desta quarta-feira. Munidos de faixas e cartazes, UNE, UBES, MST e outros movimentos sociais partiram da Praça do Campo Grande, passaram pela Praça da Piedade, tradicional palco de mobilizações estudantis, e seguiram até a Universidade Federal da Bahia (UFBA). A manifestação na Bahia também levantou o debate sobre a situação da universidade pública no estado. Reitoria da UFBA ocupada
Ao final da passeata, os jovens realizaram um ato político na reitoria da UFBA. A sacada do prédio foi ocupado em um ato simbólico. O objetivo é chamar a atenção da sociedade para o desmonte que a educação pública vem sofrendo no país e, principalmente no estado. Não há previsão para a desocupação. Acampamento O campus de Ondina, da UFBA continua ocupado. O "Acampamento dos Movimentos Sociais" reúne 150 pessoas, entre representantes do DCE da UFBA e da UCSAL, UEB (União dos Estudantes da Bahia), e militantes do MST, MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), CUT, Movimento Negro, Hip-Hop, um grupo dos atingidos por barragens e outros.


Estudantes fazem ato em frente à Faculdade de Direito (USP) em SP

Para protestar contra a ação truculenta da Polícia Militar, que a pedido do diretor da Faculdade de Direito da USP, João Grandino Rodas, retirou estudantes e trabalhadores que ocupavam o prédio da faculdade na madrugada de hoje, houve um protesto em frente à faculdade.Em Minas, Via Campesina e Movimento Estudantil ocupam diretoria da Vale do Rio Doce

Fechando a Jornada Nacional de Lutas pela Educação, cerca de 150 pessoas da Via Campesina, juntamente com o movimento estudantil e outros movimentos sociais, ocupou durante a tarde o escritório da Vale do Rio Doce no centro de Belo Horizonte. O ato remete à campanha de Reestatização da Vale do Rio Doce, empresa privatizada com o valor 10 vezes menor do que seu valor de fato.

Rio de Janeiro


Cerca de mil manifestantes participaram de Passeata em Defesa da Educação, que teve concentração na Candelária, marcha pela Avenida Rio Branco até a representação do Ministério da Educação no estado.

Goiânia


Hoje, panfletagem feita pela UEE em universidades e escolas secundaristas.
Para sexta, está previsto um grande ato na reitoria UFG, às 9h. Pautas locais: reserva de vagas para quem estudou em escola pública e a retomada da bolsa de 50% nas mensalidades para estudantes de baixa renda das universidades privadas, cortada recentemente pelo governo.

Brasília

Debate organizado por entidades estudantis e movimentos sociais e sindicais sobre o panorama da educação no país, na UnB.

sábado, 5 de maio de 2007

In Memorian de Antonio Um Sem Terra

ENQUANTO MUNDO AFORA OLHAMOS AO SOL DA MADRUGADA REVOLUCIONÁRIA CAMARADAS TOMBAM AOS PÉS DE ALGOZES DA NOITE DURA E FRIA DESTA LUTA.

não há paz,
não há terra,
há chumbo,
há sangue,
não há produção,
não há comida,
há armas,
há dor,
não há reforma,
não há justiça,
há estouro de tiro,
há um corpo estendido na terra,
há a amarra que aperta pela saudade do companheiro que se foi,
há as lágrimas,
não há punição,
não há responsabilidade,
há a procissão,
há de novo sete palmos de terra,
há o grito...dor...lágrimas...saudades...revolta...convicção,
há o amanhã pelo qual tombou mais um trabalhador:

ANTONIO SANTOS DO CARMO

60 anos de caminhada e história tombaram frente a ignorância e a ganância, mas sonhamos e seguimos a ofertar esperança, fé, solidariedade, cooperação e braços que dados caminham na direção da MANHÃ que nos pertence, nos libertando e libertando aos que nos oprimem.
Perdi mais um pedaço de mim, mas milhares permanecem, tiraram mais um trabalhador da caminhada neste mundo...
Mas levas, ANTONIO, nossa mensagem aos campos que tens agora e levas por este planeta também nossa mensagem de que neste mundo buscamos construir a PAZ e a REVOLUÇÃO.

Clovis Vailant