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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Denuncia MMC

Passo Fundo 17 de junho de 2011.


Denuncia

O Movimento de Mulheres Camponesas – MMC Brasil vem por meio desta, formalizar denuncia, as autoridades cabíveis sobre as ameaças de morte, pressões psicológicas e insegurança que vem sofrendo a Companheira Rosimeire Rodrigues Nardes de Campos, de RG, 12386600 SSP/MT, residente no Assentamento Santa Filomena localizado no município de Poconé, Estado de Mato Grosso. A mesma faz parte da organização do Movimento de Mulheres Camponesas – MMC e é presidente da Associação de Minis e Pequenos Produtores Rurais Da Baía do Campo – Poconé-MT, onde busca efetivar os princípios do movimento e da associação como entidade jurídica e constituída legalmente.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

CARNE – Patriarcado e Capitalismo

A Kiwi Companhia de Teatro apresenta gratuitamente o espetáculo “Carne”, que pretende discutir a opressão sobre o sexo feminino e a desigualdade ente os sexos que se manifesta nos espaços público e privado.

Inspirado na autora austríaca Elfriede Jelinek, em notícias de jornais, estatísticas de violência contra a mulher, e em textos da historiadora Michelle Perrot, a peça discute as relações profundas entre patriarcado e capitalismo, mostrando, através de procedimentos épicos ou “pós-dramáticos” (segundo a expressão de Hans-Thies Lehmann), o panorama da opressão de gênero e a situação específica da violência contra as mulheres no Brasil.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Campanha 16 dias de Ativismo

Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher Campina Grande, 23 de novembro de 2010.

Um grupo de organizações feministas e entidades voltadas para a garantia dos direitos humanos de Campina Grande realiza a partir desta quarta-feira, 24 de novembro, uma programação alusiva à Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher. A programação envolve palestras nas escolas públicas, mobilizações em bairros da cidade e seminários.

Esta é a 19ª edição da Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, uma ação que envolve organizações de 159 países no período de 25 de novembro a 10 de dezembro, dia em que se comemora o aniversário da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
No Brasil a Campanha se inicia no dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Entre as entidades que organizam a programação estão: Centro de Ação Cultural, Cunhã Coletivo Feminista; Grupo Flor e Flor Estudos de Gênero/UEPB; Associação das Trabalhadoras Domésticas; Coletivo de Mulheres, Educação, Intervenção e Ação Social; Grupo de Apoio à Vida; Menina Feliz; Pró-Adolescente Mulher Espaço e Vida, Rede de Articulação de Mulheres Paraibanas e Centro de Referência de Assistência Social da Catingueira. A mobilização conta ainda com o apoio da Associação dos Docentes da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Violência contra a mulher
Segundo dados do Centro da Mulher 08 de março, no ano de 2009 houve 46 homicídios de mulheres e 21 tentativas de homicídios; no ano de 2010 estes dados praticamente dobraram, pois foram registrados, entre janeiro a outubro, 51 homicídios e 21 tentativas de homicídioA Lei Maria da Penha, que dispõe sobre o enfrentamento a violência doméstica e familiar contra as mulheres, não está sendo concretizada na Paraíba, principalmente, se levarmos em conta os seguintes aspectos: a Paraíba é um dos quatro estados da Federação que ainda não implantou os Juizados Especiais de Violência Doméstica e Familiar; as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, em número de 08 em todo Estado, funcionam com infra-estrutura inadequada, com falta de recursos humanos e ausência de capacitação da equipe para atuar considerando as questões de gênero e étnico/racial; a não implementação de Casas-A brigo’ para as mulheres e seus dependentes menores em situação de violência doméstica e familiar, existindo somente uma no município de Campina Grande com precárias condições de funcionamento.

PROGRAMAÇÃO:
“Chá Positivo” na sede do Grupo de Apoio a Vida (GAV).
Discussão da temática “Mulheres Positivas em Debate: violência contra as mulheres”
Data: 24/11/2010 (quarta-feira)
Hora: 14h

Mobilização comunitária no bairro da Catingueira (Praça da Igreja Católica)
Distribuição de folders, adesivos de carros, exposições de faixas, pronunciamento das representantes das entidades e da comunidade em geral, apresentação do grupo Dança e Charme.
Data: 26/11/10 (sexta-feira)
Hora: 8h30 as 11h30

Seminário Estado Laico e os Direitos das Mulheres”.
Realização: Católicas pelo Direito de Decidir.
Lançamento e distribuição de livros
Local: Auditório da Faculdade de Serviço Social, Rua AntÃ?nio Guedes, 114, Centro
Data: 03/12/10 (sexta-feira)
Hora: 8h30 às 11h30

Palestras nas escolas da rede pública
Sensibilização da juventude quanto à problemática da violência contra as mulheres

Escola Murilo Braga (Bairro Liberdade)
Data: 01/12/10 (quarta-feira) Hora:19h

Escola Estadual Nenzinha Cunha Lima (Bairro Mirante)
Data: 06/12/2010 (segunda-feira) Hora: 14h30

Escola Normal (Av. Brasília)
Data 09/12/10 (quinta-feira) Hora:15h

Escola Estadual Premem
Data 07/12/10 (terça-feira) Hora: 14h30

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Feministas lançam plataforma pela legalização do aborto

28/09/2010

Jorge Américo
Radioagência NP


Organizações feministas de diversos estados brasileiros reuniram-se em torno de uma plataforma de defesa da legalização do aborto a ser lançada nesta terça-feira (28), dia internacional de luta pela legalização do aborto. Em São Paulo, o ato de lançamento ocorre na Praça do Patriarca. A integrante da Marcha Mundial das Mulheres, Sônia Coelho, explica que o objetivo é retomar o debate.

“Queremos neste dia 28 de setembro lançar essa plataforma para fazer o debate do que é a realidade do aborto clandestino no Brasil e do significa as mulheres, na nossa sociedade, não terem o direito de decidir sobre sua vida e a maternidade.”

Todos os anos ocorrem 42 milhões de abortos no mundo. A estimativa brasileira é de mais de 1.25 milhões de casos. As complicações dessa prática já representam a terceira causa da morte materna no país. Sônia Coelho defende que os convênios do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam revistos.

“Muitas vezes essas instituições religiosas acabam impondo os seus valores, os seus princípios. No caso da saúde da mulher, nós queremos que todas as mulheres possam ter acesso a todos os métodos anticonceptivos. Muitas vezes as mulheres são prejudicadas porque esses setores não concordam com o uso da camisinha, não concordam com a contracepção de emergência. Então acabam cerceando o direito das mulheres de poder utilizar os serviços do SUS.”

Em maio de 2010, a Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) que concede ajuda financeira às mulheres vítimas de estupro que não realizarem aborto.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/2388

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O que é o dia 28 de setembro

Dia Latinoamericano pela Legalização do Aborto na América Latina e Caribe.

Esta data foi tirada no No 5º Encontro Feminista Latinoamericano e do Caribe (Argentina, 1990) e desde 1993 diversas ações são feitas nos países da região.

A construção da frente no Brasil:

A Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto foi criada nacionalmente em 28 de setembro de 2008 para atuar contra a criminalização das mulheres, a partir da criminalização das mulheres de Mato Grosso do Sul. Neste estado, uma clínica foi fechada e duas mil mulheres foram expostas publicamente. Hoje há um processo de condenação das mulheres que supostamente abortaram e das trabalhadoras da clinica, que está fechada.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Grito dos excluidos 2010 - Campina Grande

Organização: Paroquia do Monte Castelo e Dimensão Sócio-Transformadora
Local: Colégio Plinio Lemos
Data: 04/09/2010
Hora: a partir das 0800h

Programação
0800 Animação e acolhida dos participantes. Café da manhã
0900 Abertura e mística inicial
0930 Apresentação da mesa (convidados e cordenadores de oficinas)
1015 Inicio dos trabalhos nas oficinas
1200 Almoço
1300 Apresentações culturais
1430 Apresentação dos trabalhos das oficinas
1600 Caminhada pelas ruas do bairro Monte Castelo
Encerramento: Leitura da Carta do Grito 2010
Mística final

Oficinas:
1. Plebiscito: Resp. Comissão Pastoral da Terra (CPT)
2. Campanha “Voto vendido, povo vencido”: Resp. TRE-PB
3. Políticas Públicas: Resp. Centrac
4. Direitos e Cidadania: Resp. Ajurcc/PJMP
5. Direitos do Idoso: Past. da Pessoa Idosa (Carmem)
6. Meio ambiente: Resp. Cáritas
7. Violência doméstica: Resp. Zé Rodrigues
8. Mística e Relações Humanas: Resp. CEBI

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eu apóio o MST: Dom Pedro Casaldáliga

VÍDEO

Veja vídeo com depoimento de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), sobre a importância da luta do MST.
http://www.mst.org.br/eu-apoio-mst-pedro-casaldaliga

"O MST é uma força alternativa. É uma força autônoma e estritamente popular, no sentido forte da palavra. Inclusive, mais do que um movimento, eu diria que deve ser sempre um estímulo, uma cutucada, para a movimentação.
"O MST poderia desaparecer, porque já deixou uma marca que não se apaga. Eu espero que por muitos anos ainda... A não ser que se acabe com o agronegócio e com o latifúndio. Aí não vamos necessitar do MST. Enquanto o diabo estiver solto aí, necessitamos do MST...
"[A luta vai continuar] enquanto houver latifúndio, produtivo ou improdutivo, no meu entender, porque latifúndio é sempre acumulação, sempre é exclusão, sempre é prepotência”.
Para compartilhar nas sua página, entre no canal do MST no YouTube: http://www.youtube.com/user/videosmst

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DEBATE PÚBLICO

CONVITE

DEBATE PÚBLICO


Na próxima quarta-feira, vinte e cinco de agosto, às dezoito horas e trinta minutos, no auditório do Colégio Imaculada Conceição (DAMAS), o SINTAB estará promovendo um debate com os candidatos ao governo do Estado da Paraíba. Será para nós, uma grande honra, contar com vossa presença nesse evento.

Endereço do Colégio Damas- Praça da Bandeira, 23, Centro.

Campina Grande-PB, 23 de agosto de 2010.

Direção.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

As vítimas da violência têm idade, classe social e cor

Sáb, 10 de Julho de 2010 17:45

Surpreendentemente a juventude é encarada como protagonista da violência no país. A inversão dos fatos assombra, sendo que na grande maioria das vezes é a Juventude vítima das violências.
Para além da violência física cometida pelos governos repressivos, o racismo, o machismo, a homofobia, a discriminação com a juventude, são expressões da violência psicológica contra as ditas minorias sociais, os principais alvos da segregação social: mulheres, negros, indígenas, homossexuais, empobrecidos e jovens.

O racismo, por exemplo, é encarado como superado pelo senso comum e pela grande mídia. Será mesmo? A realidade das universidades comparada à realidade dos presídios, não seria o racismo materializado? A discriminação social e racial transcendeu os muros ideológicos, agora também é coisa concreta: dividem objetivamente a sociedade, tornando os presídios cada vez mais pobres e mais negros, e as universidades, mais brancas e mais ricas, por exemplo.

“Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado”.

A nossa história está marcada pela violência dos poderosos contra os mais fracos, por isso ainda reflete o extermínio. Ela se inicia com o massacre de índios, com a exploração da mulher pelo homem, com a escravidão dos e das negras, concebidos todos e todas como coisa, não gente.

Segundo Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros - 2008, entre 1996 e 2006 o índice de homicídios na população jovem teve um aumento de 31,3% enquanto na população total foi de 20%.

A pobreza tem cor, e no Brasil ela é negra. Os negros apresentam um índice de vitimização 73,1% superior aos brancos na população total e 85,3% superior na juventude.

A violência contra os povos indígenas, ocorrida entre os anos de 2006 e 2007, aumentou mais de 60%, sendo a maioria jovens. A falta de demarcação das terras indígenas continua a ser o principal problema gerador de conflitos.

Sete milhões de jovens brasileiros, o dobro da população do Uruguai, não trabalham nem estudam. Se verificarmos a faixa etária nos presídios brasileiros, como afirma a Pastoral Carcerária, vamos constatar que os presos são em geral jovens, pobres, analfabetos e negros. Entretanto, a CNBB, no Texto-Base da CF 2009, nos alerta para as injustiças geradas ao associar pobreza à violência, pois, vemos que ela se manifesta em todas as camadas sociais, embora, seja a classe pobre a que mais sofre discriminação, sobretudo os jovens que muitas vezes são rotulados como delinqüentes, são excluídos e marginalizados.

Nossos jovens estão sendo exterminados dentro e fora dos presídios, “só no Distrito Federal, segundo dados do Ministério Público, entre 2003 e 2005, 178 jovens foram mortos enquanto cumpriam medida sócio educativa”. A realidade das penitenciárias brasileiras desumaniza as maiorias que não têm poder político ou econômico que lhes assegure gozar de privilégios, ao invés de reabilitar, funcionam como escolas do crime e promovem a violência.

A juventude, negra, indígena, branca, mulher e homem, homo e heterossexual, trabalhadora e desempregada, estudante e sem escola/ universidade, é capaz de reverter a lógica da violência, da exclusão étnica e social. Organizar-se, ocupar os espaços, movimentar as cidades, o campo, as escolas, reivindicar direitos, propor mudanças estruturais e urgentes, ideológicas e objetivas. Somente a própria juventude é capaz de combater as violências que a extermina.

Por acreditar nisso, as Pastorais da Juventude do Brasil – PJB está promovendo em todo o país, uma grande Campanha contra a violência e extermínio de jovens, em consonância com a Campanha da Fraternidade 2009 que propõe o debate sobre segurança pública. Todos/as são convocados a entrar nesta luta em defesa da vida!


Sugestões para desenvolver a Campanha:

• Trabalhar o conceito de violência em suas diversas formas: física, estrutural e simbólica, alargando o conceito que temos no senso comum;

• Incluir o tema da segurança pública, violência (dentro e fora da escola) e extermínio de jovens no planejamento escolar, tornando-o eixo transversal;

• Promover seminários, oficinas e palestras durante a campanha Contra a violência e Extermínio de Jovens (2009 e 2010), enfocando principalmente as causas do problema e apresentando possíveis soluções;

• Promover atividades lúdico-recreativas com a temática, (permitindo que os/as jovens mostrem livremente sua percepção desta problemática) . Como por exemplo, festival de música, poesia e teatro, gincanas, etc;

• Criar grupos de reflexão sobre a violência, articulando- os a outras redes de discussão e manifestar-se diante de todas as formas de violência com abaixo-assinados, faixas, cartazes, passeatas, etc;

• Incentivar pesquisas sobre os índices de violência no local e a partir daí, desenvolver a produção de textos que podem ser trabalhados na comunidade;

• Atuar na perspectiva de mídia alternativa para divulgação dos trabalhos na linha da promoção dos direitos e cidadania, contra a violência e a favor da cultura da paz;

• Trabalhar a Semana da Cidadania no mês de abril nas escolas;

• Incentivar o engajamento dos/as jovens em comissões de direitos humanos (onde existem) para acompanhar o tratamento das políticas com relação aos/as jovens detentos/as, delinqüentes ou não. Onde não existem estas comissões, incentivar a criação das mesmas;

• Promover um amplo debate sobre a Redução da Maioridade Penal, fornecendo subsídios diversos à juventude estudantil e grupos de jovens, potencializando- os na tomada de posições, o que pode ser expandido para a população em geral.


Tábata Silveira - Estudante de Direito
PJE – Sapucaia do Sul – RS e Secretária Nacional
secretaria@pjebr. org

Maria Aparecida de J. Silva - Bacharel em Teologia pelo ISTEPAB – Instituto Superior de Teologia e Pastoral de Bonfim – Bahia e articuladora Nacional da PJB
pjb@cnbb.org. br

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Soluçando Sangue

Que o vermelho do sangue das mulheres assassinadas
manche!
paredes, escadas e janelas
mudas, cegas e surdas

Que o vermelho derramado
ganhe vida
força e faça se reconhecer
por todas nós...

Vejamos o reflexo das guerreiras lutadoras,

com seus braços erguidos,

com seu riso escancarado
neste vermelho que escorre pela parede

Todo suor que escorrem dos rostos sofridos pelo tempo,

cansados por toda exploração

agora, já nem são percebidos

são confundidos com o brilho do olhar que transborda alegria


Gritos de felicidade ecoam entre as paredes do palácio...
Respiramos profundamente o ar de leveza e alívio
que a bailarina de cabelos brancos espalha no asfalto quente...
Espiam-nos, apontam-nos, registram-nos... e nós? simplesmente sorrimos.

Sorrimos por desabafar a ira que nos sufocava
Aquela mesma ira que sufocou muitas de nós
tirou seu sorriso,
nos fez chorar

Até quando seremos vítimas?
Quem sabe?
Agora, talvez, falte menos tempo
que ontem...



Libélula
01/12/2009 (20:44)

Carta do I Encontro das (de) Mulheres do Campo e da Cidade da Paraíba

Nós mulheres da Paraiba, agricultoras familiares, camponesas, assentadas, trabalhadoras rurais, sindicalistas, trabalhadoras domésticas, donas de casa, estudantes, educadoras reunidas nos dias 27, 28, 29 e 30 de novembro, em João Pessoa, no I Encontro Estadual das Mulheres do Campo e da Cidade, reafirmamos a luta por justiça, em defesa da igualdade e pelo fim da violência contra as mulheres!

Entendemos que a forma como a sociedade está organizada coloca a mulher numa situação de violência, opressão e exclusão social, negando seus direitos. Somos as principais vítimas do desemprego, do trabalho precário, dos menores salários e da falta de políticas públicas.

Nossa vida e nosso corpo são tratados pela sociedade capitalista como mercadoria. Continuamos sendo as únicas responsáveis pela casa, pela família e pelo cuidado e educação dos filhos, além de estarmos distantes dos espaços de poder e de decisão.

Denunciamos o patriarcado e todas as formas de violência contra as mulheres. Somos constantemente alvos da violência: moral, psicológica, patrimonial, sexual e física. Denunciamos o não cumprimento da Lei Maria da Penha, que coíbe a violência, pune os agressores e traz segurança para as mulheres. Todos os dias, milhares de mulheres continuam sendo vítimas de violência no Brasil e no mundo. Na Paraíba, este ano, já foram assassinadas 42 mulheres, com 26 sofreram tentativas de homicídio xx estupros

Denunciamos o agronegócio que concentra terras, contamina os nossos recursos naturais, viola o direito das agricultoras camponesas em conservar a biodiversidade e nos tira o direito de produzir alimentos saudáveis.

Lutamos por uma Paraíba com a participação igualitária entre homens e mulheres, por justiça e autonomia das mulheres. Pelo direito de acesso à terra, à água, moradia digna, por soberania alimentar e pelo combate à violência contra a mulher em todas as suas formas.

Exigimos que o poder público em todas as suas instâncias cumpra seu papel de proteção às vítimas da violência, respeitando as mulheres violentadas e garantindo a segurança para seus filhos e filhas. Exigimos também políticas públicas que valorizem o trabalho da mulher camponesa e da cidade.

Precisamos construir uma nova sociedade, pautada num projeto popular, onde a valorização do trabalho seja sinônimo de emancipação e as mulheres tenham autonomia sobre seus corpos e suas vidas.

Vamos continuar nos organizando e lutando até que todas as mulheres sejam livres da opressão, e da violência.

Mulheres do Campo e da Cidade construindo uma nova Sociedade!!!

domingo, 21 de junho de 2009

Cidade do Silêncio: Consciência política para comunicar

Quando ouvimos alguém citar o filme “Cidade do Silêncio", não temos a noção da qualidade da arte, pela simplicidade de seu título. Porém com a sinopse podemos ter uma idéia do que iremos encontrar em seu conteúdo: Graças ao Tratado de Livre Comércio empresas do mundo inteiro montaram fábricas no México, na fronteira com os Estados Unidos. Com mão-de-obra barata e isenção de impostos, estas companhias fabricam produtos a baixo custo, que são vendidos nos Estados Unidos...”. A obra de Greogry Nava é baseada em fatos reais, que retrata mais que a realidade de mulheres mexicanas da “Cidade Juarez” (norte do México, estado de Chihuahua, fronteira com o Texas, nos Estados Unidos), retrata as relações de produção do sistema capitalista, como, da mesma forma, as relações políticas dos meios de comunicação, da força policial e políticos, quando estes defendem os interesses dos empresário-capitalistas. Em meio às relações de corrupção e as falsas e coniventes condutas jornalísticas, restam à exploração, a injustiça, a violência e a desigualdade, desigualdade essa de que somos todos/as (trabalhadores/as do mundo) vítimas. A cidade, com cerca de 1.300.000 habitantes, tem a economia voltada para indústrias montadoras de equipamentos eletrônicos destinados a exportação, onde a maioria de trabalhadores são mulheres, no filme, as operárias são contratadas para trabalhar nas fábricas de monitores de TV, sob um regime de trabalho desumano, de quase escravidão. São submetidas a longas jornadas de trabalho e a baixíssima remuneração. Seriam características semelhantes a muitos outros lugares do mundo onde mulheres são mais exploradas em relação a sua força de trabalho e a particularidade do seu trabalho duplicado. No entanto, a Cidade Juarez é uma cidade sob ameaça para sua população feminina, que vem sendo cruelmente aniquilada desde 1993. Segundo dados da Anistia Internacional, organização que promove a defesa dos direitos humanos em todo o mundo, 398 mulheres de Juarez foram assassinadas de 1993 a 2006. A maioria dos casos de morte ou desaparecimento ocorreu quando as mulheres estavam indo ou voltando de seus trabalhos nas fábricas. Informações não oficiais, havia cerca de 600 mulheres desaparecidas em Juarez; todos os cadáveres encontrados revelavam que elas foram vítimas de violências sexuais, mutiladas e desfiguradas e todas elas foram estranguladas, sendo que nem todas puderam ser identificadas. A jornalista americana Lauren Adrian (protagonizada por Jennifer Lopez) é enviada de Chicago para o México com a tarefa de fazer um “furo de reportagem” e descobrir tudo o que os outros jornalistas não descobriram. Chegando ao local, a jornalista busca ajuda de seu amigo, Alfonso Diaz (Antonio Banderas), jornalista que comanda o jornal Sol de Juarez e exerce sua profissão com muita paixão e dedicação (um típico herói americano: bonitão, justiceiro, bondoso e apaixonado). Chegando logo a Juarez Lauren conhece Eva Jimenez (interpretada pela atriz Maya Zapata), uma operária de dezesseis anos, que conseguiu sobreviver a um estupro e a uma tentativa de assassinato, sendo seu agressor o motorista do ônibus que transportava as operárias da fábrica. Na trama a dupla “salvadora da pátria” vai tentar desvendar o mistério por trás dos assassinatos, colocando suas próprias vidas em risco. Em se tratando de uma produção americana, não poderíamos deixar de ver mais uma demonstração de heroísmo por parte deles, já que os Estados Unidos acreditam que são os salvadores do mundo e que os latinos americanos são simplesmente: “um bando de índios selvagens que mal conseguem sobreviver sozinhos, que dirá proteger os seus”. Apesar desses detalhes característicos da ideologia americana, não podemos deixar de valorizar a crítica existente no filme. Tanto em relação ao que se refere às questões da exploração social, da violência sexual e dos direitos das mulheres; quanto das questões de desigualdade e explorações essenciais ao sistema capitalista, como da mesma forma, e particularmente aqui, sobre o que diz respeito às condições reais da profissão jornalística.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

ENTIDADES SE MANIFESTAM CONTRA A BOLSA ESTUPRO

Na pauta da Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara dos Deputados da quarta-feira passada, dia 19 de dezembro, o projeto de lei 1736/2007, d@s deputad@s Henrique Afonso (PT-AC) e Jusmari Oliveira (PR-BA), recebeu críticas de várias instituições da sociedade civil. A proposta é conceder um salário mínimo às mulheres que optarem por não interromper a gestação decorrente de estupro. O benefício seria concedido até que a criança completasse 18 anos, mas apenas depois que a sentença transitasse em julgado, ou seja, quando não couber mais qualquer recurso no processo. Para se ter idéia, o julgamento dos crimes de estupro leva, em média, três anos. Outro impeditivo é que, se o acusado não for encontrado, o processo é arquivado. Essas exigências tornam a medida inócua, além de partirem do pressuposto que mulheres mentirão para receber o benefício. Nesse caso, trata-se de uma falsa promessa de benefício.

No movimento feminista, o projeto tem sido chamado, ironicamente, de Bolsa Estupro. Apesar de seu verniz condescende e assistencialista com relação às mulheres, o objetivo do PL é evitar a prática do aborto legal com a oferta de dinheiro. É uma desautorização do Código Penal, que ainda em 1940, legalizou o aborto nessas condições e um retrocesso ao que a sociedade já compreende como direito das mulheres. A iniciativa também banaliza o impacto do estupro para a vítima, já que, por R$ 380,00, Henrique Afonso, Jusmari Oliveira e o relator, Padre José Linhares (PP-CE), esperam que a vítima supere o que lhe aconteceu e assuma o filho sozinha.

Diante do conteúdo da proposta, o CFEMEA e outras entidades entregaram carta a deputad@s federais da Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), pedindo a rejeição do parecer que irá à votação. Entre @s signatári@s estão o Conselho Federal de Psicologia, a Associação Brasileira de Enfermagem, o Fórum Nacional de Entidades de Direitos Humanos e do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), além de organizações do movimento feminista de todo o Brasil. O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher também apresentou carta criticando o conteúdo do projeto e a VI Conferência Nacional de Assistência Social, que reuniu mais de dois mil participantes entre delegad@s e convidad@s em Brasília no fim de semana retrazado, aprovou moção em repúdio à proposta.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

RESPEITEM A MULHER

Texto publicano na revista METRÓPOLE - Edição n°1-Salvador-Bahia
RESPEITEM A MULHER
Tom Tavares
Uma vez mais, o tema vem à tona, ocupando espaço nos jornais, nos noticiários das emissoras de rádio e tv. E se destaca, mais ainda, pelo emprego da perguntinha equivocada: "Você é contra ou a favor do aborto?" Ora, quer coisa mais estúpida que esta pergunta? Será que existe alguém no mundo "a favor do aborto"?! Eu, particularmente, não sou a favor. Sim, sou contra o aborto como também sou contra qualquer tipo de cirurgia, qualquer incisão. Aliás, eu até reajo contra a aplicação de injeção, procedimento que considero dos mais primitivos. Vejo autoridades religiosas, governantes, oposicionistas, todos abrindo o verbo, arrotando autoridade para falar sobre o assunto. Os tais religiosos, pra variar, tratam tudo como se tudo fosse propriedade de um certo "Deus", cuja existência, até hoje, sequer se comprova. Já os governantes afirmam que o caso é de "saúde pública". Há, também, um histérico grupo que se diz "em defesa da vida" externando a velha, falsa e hipócrita presunção de possuir delegação para ditar normas comportamentais. E a turba insana se completa com um Zé Mané qualquer filosofando barato, montado em frases de efeito e preso ao raciocínio de uma parcela da sociedade saudosa dos períodos autoritários. Em outras palavras, todos eles se imaginam no direito de determinar como a mulher deve se comportar com relação a algo que, em resumo, ocupa espaço no corpo desta mesma mulher. Destaque-se, mais ainda, que, como proliferam e infestam os ares as emissoras de rádio e tv compradas por ruidosos e retrógrados religiosos, o espaço dado àqueles que condenam a prática do aborto à marginalidade é bem maior que o reservado às pessoas que verdadeiramente deveriam ser chamadas a opinar sobre o assunto: as mulheres, claro. Aliás, a impressão que passa esta tropa é que à mulher não se pergunta. À mulher se determina, como em priscas eras, quando o seu papel social restringia-se à procriação. A opção pelo aborto, a meu ver, está acima dos ditames religiosos e também vai muito além de ser, pura e simplesmente, uma "questão de saúde pública". Essa gente precisa saber que o mundo mudou, evoluiu. O modelo de convivência pacífica entre as pessoas está , cada vez mais, assentado no respeito à individualidade. Sem ela, não tem acordo. Assim como o estado não tem autoridade para intervir no corpo de qualquer um de nós, aos religiosos resta que cuidem das suas almas, pois, se há uma coisa da qual eles ou não entendem ou abominam é o corpo. Haja rejeição! Como disse, não faço apologia ao aborto mas, defendo, na mulher, o direito inalienável à decisão sobre o que ela deve portar, deve conter. E, se ela não quer carregar - seja o que for - dentro dela ou sobre ela, então, tem que ser respeitada em sua decisão.
O resto é machismo e dogmatismo: ambos abomináveis.
Esta mensagem foi verificada contra riscos de segurança conforme política da PRODEB

sexta-feira, 15 de junho de 2007

"Sentimentos Libélulos"

Quanto mais penso, mais triste me sinto... mas solitária pareço ser... e no descontrole de meus pensamentos surgem questões que sei... nunca serão respondidas... ou até podem ser por mim mesma, mas minha personalidade aquariana ainda me impulsiona a mais uma vez questionar-me se esta é realmente a resposta... e nesse sentido permaneço num círculo vicioso e infinito que minha mente me aprisiona.

A vida de muitas pessoas estão nesse momento passando por tortuosas e significantes mutações... a minha vida mesmo, não deixa de ser diferente, vida de Libélula... procurando um contexto, um sentido para continuar nessa forma atual, que as vezes me parece estar sendo insignificante... desconfortante talvez!

Questões, surgem a todo momento... nossa situação no planeta piora a cada milésimo de segundo, não vejo solução, tento descontroladamente enxergar o mínimo de esperança para nosso futuro e para o futuro de meus filhos, ou dos filhos de meus amigos... mas me descontrolo numa total decepção pela raça humana, que ainda prefiro chamar de "espécie"... seres únicos no planeta a destruírem seu habitat natural... como poderíamos chamar essa espécie? ..."Racional"???

Nesse conflito pessoal, buscamos respostas místicas como uma forma de amenizar nossa angústia, mas essas respostas algumas vezes não fazem muito sentido pra mim... e quando fazem, por algum motivo qualquer ainda duvido que possa ser...

A religião, os segmentos espirituais, os "líderes religiosos", os cultismos... me parecem tão frágeis... ou será minha insegurança que os tornam assim? Na realidade, a buscar por essas respostas e outras tantas, surgem dentro de nós mesmos, e por quê então tentamos encontrá-las fora? Por quê precisamos que alguém nos diga que isso é certo ou errado??? isso não seria um decisão pessoal, concedida por um tal livre arbítrio??? "O bem e o mal", "o certo e o errado", "o bom e o ruim", "o positivo e o negativo"... escolhemos desde quando encontramos com nossa consciência... quais desses caminhos seguiremos no decorrer de nossas vidas? mas ainda assim somos ensinados, ou quem sabe mesmo manipulados, a seguir um determinado cominho pré-definido, orientado por uma cultura, uma sociedade que se diz muitas vezes "justa", e que na realidade é opressora, preconceituosa e ingrata (sem falar nos demais "qualidades"...).

Que sentido de justiça temos? A justiça que diz que isso é certo e aquilo é errado? A mesma justiça que nos decepciona deixando livre "homens de colarinhos brancos"; "Políticos"; "Magistrados"; etc e tal... que são corrompidos pela ganância do poder capitalista, (isso sem contar as demais características de seus carácteres um tanto duvidosos); esta mesma justiça que ao mesmo tempo que os liberta de qualquer crime, com o pagamento de míseras fianças (quem sabe até restituindo uma mínina parte do dinheiro público roubado!); essa mesma justiça condena e aprisiona um homem simples, humilde, excluído da sociedade por suas dificuldades financeiras e sua falta de estudos; que "rouba" uma galinha, ou cata algumas "cédulas de papel" que talvez por um "milagre divino" tenha caído dos céus, enfim... para tentar, simplesmente, matar um pouco da fome de sua família, vítima desses mesmos "homens de colarinhos brancos", vítimas dessa mesma sociedade, vítimas de seus "destinos", vítimas desse sistema que proporciona a riqueza e o bem estar a poucos e a miséria e o sofrimento a grande maioria. Podemos falar ainda em "Justiça"???

Por quê deveria acreditar nisso? Por quê deveria fazer parte disso? Por quê deveria me conformar com isso? Não me sinto errada em pensar dessa forma... só me sinto um tanto incomodada, ou melhor, inconformada em acreditar que faço parte de uma pequena exceção que acredita, que o nosso modo de viver poderia e deveria ser diferente! Alguns podem me chamar de "radical", "comunista", "sonhadora", "feminista" e o que mais tiver a ver com essa história, porém prefiro ser considerada como uma pessoa consciente, com uma personalidade formada independente de qualquer coisa, e em constante mutação pessoal.

O planeta sofre com nossas ações inconsequentes, a natureza clama por ajuda, a vida suplica misericórdia... e ainda assim existem seres que se dizem sensíveis às "causa humanitárias"; mas que "causas humanitárias" seriam essas então? Àquelas que consideramos insignificantes para nós e/ou para nosso conforto e que utilizamos como um escape do peso de uma "conscience bénévole"? as causas de sentimentos de compaixão e piedade que nos fazem algumas raras vezes doar uma moedinhas para um mendigo ou um pedinte na rua? Como talvez uma atitude de religiosidade?

Toda essa situação atual me enoja... me sinto mal por sabe que minha raça é tão mesquinha, tão egoísta, tão ambiciosa... muitas vezes chego a acreditar que não posso fazer parte desse tempo, talvez minha "inconsciência" antepassada me influa a pensar que esse não é meu tempo, ou que essa não sou exatamente eu... e me retorno ao ponto inicial... sensação de Libélula... e todos os conflitos pessoais permanecem incessantemente em meus pensamentos e na angústia de meu coração.

Patrícia Ribeiro

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Temporão diz que discussão sobre aborto é machista

O ministro José Gomes Temporão (Saúde) disse hoje que a discussão sobre a legalização do aborto no país vem sendo conduzida de forma machista, uma vez que "as leis, normas e julgamentos" sobre o tema são feitos por homens. Segundo Temporão, o aborto deve ser tratado como uma questão de saúde pública, sem a influência de aspectos religiosos, filosóficos, éticos ou fundamentalistas.
"Tem um viés machista nessa discussão. As mulheres têm que falar, ser ouvidas, e não apenas os homens. As mulheres na maioria das vezes se vêem sozinhas num momento como esse. Infelizmente, os homens não engravidam. Se engravidassem, essa questão já estaria resolvida há muito tempo", disse.
Temporão afirmou que, pessoalmente, não tem posição formada sobre a legalização do aborto. Mas como ministro, avalia que a prática se tornou um problema de saúde pública. "O assunto está saindo da polêmica. O governo não tem posição fechada sobre isso [aborto], mas hoje temos posição fechada do governo de que esse é um problema de saúde pública", afirmou.
O ministro evitou comentar a declaração do papa Bento 16 de que políticos católicos que defendem o aborto devem ser excomungados pela Igreja Católica. "Sou de formação católica sólida. Isso é uma questão de fé de cada um. O Brasil é um país, aliás, de muita liberdade de expressão religiosa, uma marca da sociedade brasileira", disse.
Segundo o ministro, pelo menos 250 mil mulheres que praticaram abortos ilegais no ano passado procuraram o SUS (Sistema Único de Saúde) para atendimento médico. Temporão disse que, oficialmente, são realizados 2.000 abortos legais por ano no país. O ministro ressaltou, no entanto, que dados de uma ONG (organização não-governamental) norte-americana mostram que são realizados 1,1 milhão de abortos clandestinos no país por ano. "Mas eu multiplicaria esses números por cinco", afirmou.
Mesmo sem revelar sua posição pessoal sobre o aborto, o ministro disse que os países que legalizaram a prática reduziram o número de abortos de forma drástica. "As discussões no campo da filosofia, ética, religião no campo moral são legítimas, mas o ministro tem que estar focado no campo da saúde pública. Então, temos que estar preocupados da mesma maneira que o presidente Lula colocou, de que esse é um problema de saúde pública", encerrou.

Publicidade GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Agradeço por ser mulher

Agrada-me que digam que sou histérica, porque então posso jogar os pratos na cabeça de quem me causa sofrimento.
Gosto que me chamem de bruxa, porque então posso mudar a direção dos ventos a meu favor. Gosto que me chamem de demônio, porque posso queimar o leito onde me abusam.
Gosto que me chamem de puta, porque então posso fazer amor com quem me dá vontade.
Gosto que digam que sou frágil, porque me lembram que a união faz a força.
Gosto que digam que sou fofoqueira, porque nada do que é humano me será alheio.
Porém, o que mais agradeço, o que mais me agrada, o que eu mais gosto e o que me faz mais feliz é que me digam que sou louca, porque então nenhuma liberdade me será negada.
Agrada-me saber que meu cérebro é menor que o cérebro do homem, porque então meu cérebro cabe em todos os lugares.
Agrada-me que me digam que careço de lógica, porque então posso criar uma lógica menos fria e mais vital.
Agrada-me que digam que sou vaidosa, porque posso olhar-me no espelho sem me sentir culpada.
Agrada-me que me digam que sou emocional, porque posso chorar e rir à vontade.
Mil e uma vezes a Inquisição me queimou e aprendi a nascer das cinzas.
Prenderam-me em um harém e, enclausurada, não deixei de rir.
Colocaram um cinturão de castidade e adquiri a arte de um serralheiro.
Carreguei fardos de lenha e me fiz forte.
Cobriram-me o rosto com véus e aprendi a olhar sem ser vista.
Os filhos me acordaram à meia-noite e aprendi a manter-me em vigília.
Não me enviaram à Universidade e aprendi a pensar por minha conta.
Transportei cântaros de água e soube manter o equilíbrio.
Extirparam-me o clitóris e aprendi a gozar com todo o corpo.
Passei dias bordando e tecendo e minhas mãos aprenderam a ser mais exatas que as de um cirurgião.
Ceifei o trigo e colhi o milho, porém me roubaram a comida e com fome aprendi a viver.
Sacrificaram-me aos deuses e aos homens, e voltei a viver.
Espancaram-me e perdi os dentes, e voltei a viver.
Assassinaram-me e me ultrajaram, e voltei a viver.
Arrancaram de mim meus filhos e, no pranto, voltei à vida.
Agradeço por ser um animal, porque os homens colocaram em perigo a sobrevivência do planeta.
Agradeço por ser mulher porque o homem não é o centro do universo e sim apenas mais um elo perdido na cadeia da vida.
Agradeço que me digam que sou irracional, porque a razão tem conduzido aos piores atos de barbárie.
Agradeço por não ter inventado a tecnologia, porque ela tem envenenado a água e o ozônio.
Agradeço que me tenham colocado mais perto da natureza, porque nunca estarei só.
Agradeço que me tenham confinado ao lar e a família, porque posso fazer de toda a Terra meu lar e minha família.
Estou feliz que me chamem de dona de casa, porque posso apoderar-me da minha.
Estou feliz de não ser competitiva, porque então serei solidária.
Estou feliz de ser o repouso do guerreiro, porque posso cortar-lhe o cabelo enquanto dorme.
Estou feliz de ter sido excluída do campo de batalha, porque a morte não me é indiferente.
Estou feliz de ter sido excluída do poder porque longe do poder me distancio da ambição e da cobiça.
Estou feliz que me tenham excluído da arte e da ciência, porque as posso inventar de novo.
Com tanta fortaleza acumulada, com tantas habilidades e destrezas aprendidas, mulher, se tentar conseguirá virar o mundo pelo avesso.
(Texto de autoria desconhecida. Supõe-se ser de uma sindicalista da Guatemala)